domingo, 22 de dezembro de 2013

Com risco, sem risca

É que a gente só precisa de olhos abertos e calor no coração, fica fácil seguir fora da risca quando a gente petisca e esquece a razão. De perto ou de longe a gente sente, o que se faz presente é o que flui corrente, que, se fecha os olhos, aquece o coração e atento, enxerga, não tem pressa, flui na calma deserta rumo ao que nada espera, vai e entrega...
Taynã Lizárraga Carvalho

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Tudo novo o tempo todo


E tudo muda, muda o olhar, o gosto, o cheiro, as vontades, as necessidades. Tudo muda para a gente ter graça. As direções, as sensações, mudam, para que saibamos que sempre há mais possibilidades e tantas, que é possível afirmar: só não muda mesmo, a própria mudança. Sempre é tempo de refazer, repensar, reconstruir. Esvaziar é preciso, silenciar a mente e quietar o coração, para enxergar o que o corpo pede, saber usar a razão, deixar de canto a necessidade de compreensão. Um dia a gente aprende, é mais feliz aquele que não entende, o que acolhe, o que sente, o que transcende.
Taynã Lizárraga Carvalho

domingo, 15 de dezembro de 2013

Mente que descansa na dança

Vai e anda, que as pausas servem para a mente. O corpo pede ritmo diferente, segue a si mesmo, esquece a que veio e faz. Pausa-da-mente, sente...e guarda, cuida de cada palavra, discursa para traduzir cada vírgula ins[pirada], cada página virada. Retrata e leva... 
Taynã Lizárraga Carvalho

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Vai...


Foram 27 anos vestindo os mesmos abraços, num círculo alimentício que durou a vida inteira, até aqui. Mais uma amarra fica no passado, um passo é dado a frente, soltando o laço, estendendo os braços, entregue, ampliando seus espaços. É tempo de encarar a distância que se cria no espaço e reconhecer a proximidade que se cria no tempo, que não se desfaz pelo momento. É tempo de entender que a natureza pede movimento e que se movimentar é que traz alimento, a vida acontece aí, em cada passo, em cada novo contato. Resolvi mudar o retrato, respirar o novo, deixar correr o rio, desaguar no mar tudo aquilo que já não preciso, abrir a gaveta da lembrança e preencher o coração com aqueles que de corpo ficam, que em mim habitam, representados por um único símbolo " ". É chegada a hora de agradecer, tudo o que veio e o que foi, pedir graça pelo o que virá e se encher de força para recomeçar...
Taynã Lizárraga Carvalho

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

É preciso ser humano


A verdade é que nós não criamos filhos, criamos seres humanos - ou deveríamos - . Pais passam longos anos dedicados aos seus filhos, é um fato. Mas, penso de cá, qual será o tamanho saudável dessa dedicação? Excessos desconstroem e tudo o que foi dedicado, pode ser perdido num piscar de olhos - ou melhor - num reconhecer de interesses. O ser humano adulto, se abastece de notáveis interesses próprios e superficiais, em detrimento do que é necessário e combustível construtor. Ignora-se os resultados obtidos pelos excessos e caminham por estradas já existentes, pois, a criatividade é crua e a capacidade de ser sozinho é primitiva. Desde o nascimento, o desenvolvimento do ser humano é em direção à independência, a fala, o andar, o expressar, o sentir, o pensar, tudo isso diz sobre um ser único e singular que teve suas necessidades primárias supridas e a partir daí, está pronto para seguir e construir seu próprio destino. O que pensar de um incapaz, que usa da saúde e capacidade daquele que o criou, para trilhar seus caminhos, cultivar e amadurecer seus frutos...? O excesso de cuidado, impede o desenvolvimento das capacidades natas do ser humano, torna-se um adulto que não pensa, não sente, não age por conta própria, é um ser nada, que não acrescenta, que não se movimenta. Eis aqui, um desabafo e um alerta, o mundo precisa de mais seres humanos.
Taynã Lizárraga Carvalho

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Ser sábio é ser sincero

A simplicidade com que o universo cuida das coisas é fascinante! Tudo acontece por alguma razão, se você parar para pensar, encontrará sentido para tudo aquilo que viveu, que tem vivido...para aquelas pessoas que passaram pela sua vida e partiram, aquelas que esbarraram e sumiram, as que chegaram e aí estão até hoje...enfim, tem porquê em tudo o que acontece. Acredito que saber que as coisas tem alguma razão, é suficiente para não apegar-nos à elas, digo, às coisas...às pessoas, às situações, porque uma vez que há a interação, o encontro entre "eu" e o outro, estamos fora do controle do que está por vir, o que precisa ser feito, é lidar com o que aparece, com o fato que se mostra. As atitudes, os caminhos tomados, são as nossas razões para seguir, ficar, ir e voltar... E ter em mente a lei da impermanência, nos deixa melhor preparados para aceitar a vulnerabilidade comum do ser e estar nesse mundo, inerente a todos nós. Nos movimentamos sabiamente ou não, em direção daquilo que nos alimenta, porém, nem sempre conseguimos distinguir a fome da vontade de comer, as barrigas seguem cheias, mas o corpo, pobre de nutrientes. Todo ato é um fato constituinte e o tempo não anda pra trás, segue em frente...dá voltas...mas não volta. Ser sábio é ser sincero.
Taynã Lizárraga Carvalho

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

E assim eu levo...

Melhor que boas risadas em um momento propriamente dito, são as risadas que se dá sozinho ao lembrar-se de tais momentos. O sentimento que segue o momento vivido é a construção da eternidade do que se viveu. Eternizo as minhas vivências no instalar de cada sorriso, no foi-se que se faz ser ainda e sempre. 
Taynã Lizárraga Carvalho

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Olhando para o próprio umbigo

É assim, apropriar-se é muito fácil. O ser humano tem tantos espaços vazios que preocupa-se o tempo todo em preenche-los. Não importa como, o objetivo é acabar com o vazio. Eis a verdade, ignora-se o vazio real e utiliza-se de qualquer coisa que está ao alcance, como alimento para aquilo que lhe falta. Assim as pessoas seguem, plenas de outro, desabitadas de si mesmas. É triste, mas, ainda é preferível lidar com o vício de fugir de si mesmo, das próprias questões, a ter que enfrentar os fantasmas construídos pelas próprias mãos. Faz o bem aquele que se enxerga antes do outro, nesse caso, o egoísmo seria a solução, se cada um olhasse para si, veria a distância que existe entre ele e o outro e que o caminho para chegar até lá é construído ao passo em que se movimenta em direção das próprias realizações. 
Taynã Lizárraga Carvalho

De coração cheio

Aí você pára pra pensar e vê que nunca falta o que dizer, que muitas vezes, é tanto por dizer, que o silêncio toma conta. Nesse vai e vem da vida, tanta gente chega até a gente...uns não demoram e vão embora, outros chegam e fazem a volta, outros invadem e criam moradia. A cada dia é uma surpresa que a vida apronta, é tanta coisa que acontece que a gente demora a se dar conta. Ora gastamos tempo demais pensando em tudo, ora esquecemos de tudo e de todos, ora esquecemos até da gente de tão preocupados que ficamos com esse movimento todo...mas, sabe que tem gente, que em qualquer momento, seja de confusão ou de alento, vem ao nosso pensamento em forma de atenção, de cuidado...de aliado. Chega de mansinho, acalma o burburinho da mente, toca com carinho o coração que devagarinho se enobrece, se reenergiza, voltar a bater no ritmo que precisa, pra continuar girando e trombando com tantos nesse caos que é vida, às vezes caos, às vezes pura vida. Esse tipo de gente aparece raramente na vida da gente, é gente pura, é gente que sente, que nos faz sentir, vem embrulhada para presente, é presente e se faz presente, é o amor que vem da semente que a gente planta sendo simplesmente a gente. A gente colhe, acolhe...de repente é ente que mora no coração da gente e a cada dia nos preenche, de vida, de alegria, de sabedoria, de energia...é gente que alimenta, que toca e enrosca de tal forma, que vira laço e que vira tatuagem, no porta-retrato, na lembrança, no coração, que simboliza aquele que chamamos de amor da vida, que a frase dita... é amigo que vira irmão por opção, que a gente escolhe e o universo aprova e a convivência põe à prova, a verdade, a sinceridade, as extremidades. Você é gente que veio e ficou e segue, como laço, abraço, tatuagem, a maior verdade, que acalma, cuida e também perturba!
Taynã Lizárraga Carvalho

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Há sempre mais onde não há nada e o nada é sempre mais do que parece

O vazio se instala para que haja a compreensão do todo. Vazio é nada e é todo num mesmo passo. De repente você se sente desamparado pela quantidade de espaço que observa a sua volta, porém, todo o espaço é o tamanho da possibilidade que você tem de preenche-lo. Quando você se dá conta de que não há espaço para transitar pelas próprias entrelinhas, é hora de repensar a posição das coisas, das pessoas, rever as necessidade e cuidar para que o espaço seja habitado adequadamente de acordo com o momento.
Taynã Lizárraga Carvalho

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Tudo pede calma

Tudo pede calma. Calma para pensar com detalhes e realizar com plenitude. Calma para olhar, reconhecer e acolher, você e o outro. Calma para ser a todo tempo, inteiro. Calma para viver no tempo do tempo, aceitar o tempo que é. Calma para perceber as diferenças e aceita-las, para aprender que julgar não leva a nada, não traz compreensão, nem alguma razão. Calma que detalha cada pisada, que prepara, que serve de escala sempre, para a próxima jornada.
Taynã Lizárraga Carvalho

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Nem lá, nem cá. No caminho...

E quando eu penso que poderia estar lá até agora sem fazer nada...
Teria protegido meus medos, guardado os meus sonhos, acumulado desejos, tudo para manter intacta a minha frustração. 
Ninguém mentiu dizendo que seria fácil sair da zona de conforto. Descobri sozinha, quando coloquei os pés no primeiro ponto das incontáveis reticências do caminho da vida.
Poderia ter evitado tropeções e não saberia o valor de conseguir manter a constância dos passos. Se não fossem os tombos, não saberia como é rir de mim mesma.
Se eu ainda estivesse lá, estaria escrevendo histórias criadas pela imaginação - não que isso seja ruim - mas, não teria uma história própria para contar.
Quando decidi desproteger o meu caminho, abandonei as minhas certezas - mínimas - e me entreguei por alguns segundos ao desespero. Passados esses segundos, pude perceber, que o medo não é do não conhecer, é do não ver. Isso, porque somos tão acostumados com imagens prontas, caminhos já traçados e iluminados, que não conhecemos a nossa própria luz. A dificuldade está em enxergar a si mesmo, no olhar para dentro, não em enxergar o que está diante os olhos.
Se eu não tivesse me permitido caminhar pelas beiradas, não saberia quão grandioso é chegar ao centro do meu todo, desconheceria o valor do todo e do nada.
Esse processo todo de ir e vir, nos leva ao mais profundo ser e estar, que aqui, posso chamar de consciência. Ao soltar as amarras do conforto, seguimos livres e prontos ao encontro do eu consigo mesmo. Esse não é o mais prazeroso dos encontros, implica na flexibilidade das percepções e interpretações mais enraizadas, que facilita o tomar as rédeas do próprio destino. Ser responsável por si, muitas vezes é doloroso, porém, é o passo que nos leva ao mais perto da plenitude do bem estar.
Ao passo que despertamos o nosso eu, em um ritmo fluido, nos desfazemos de tudo o que foi ou que será, para ser no presente momento aquilo que se mostra. Sair do lugar, movimentar-se em direção das legítimas vontades, é que nos coloca no caminho da felicidade, no qual tudo pode ser e o que é, basta.
Taynã Lizárraga Carvalho

É o que é

É só quando você pára de se ocupar com os pensamentos, que a realidade chega até você. Nós queremos demais, criticamos demais, esperamos demais, idealizamos a todo o tempo. Nesse ritmo, ignoramos o que está diante os olhos e valorizamos o que está por trás deles. Passamos uma vida brigando com poderias e deverias que nunca serão e deixamos de lado o presente momento que se mostra a cada piscar de olhos. Idealizar demais, nos tira da essência de simplesmente ser. Muitas vezes, para chegar ao que se deseja, abrimos mão da sinceridade, verdade de quem vive e alimentamos sentimentos dispensáveis só pelo fato de servirem como movimento em direção do fim esperado. Ignora-se o longo e duradouro caminho, no qual, passo a passo construímos a vida, para transitar rápida e superficialmente por uma estrada vazia. O que utilizamos para alimentar nossas ações, volta em forma de feitos, bem ou mal feitos. Mais que se empanturrar de ideais e vontades, vale nutrir as necessidades. Não há oração, meditação, perdão, que desfaça um mal feito feito de emoção e razão. Legitime suas necessidades e torne as vontades possíveis dentro das suas leis, porque indispensavelmente, a lei do universo é clara, aqui se faz, aqui se paga.
Taynã Lizárraga Carvalho

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Veja!

É melhor não se enganar. As mãos, dê ao tempo, os pés, mantenha firmes no chão,
deixe os braços para os abraços daqueles que vem e vão. Dos olhos, preserve o movimento de abrir e fechar e tente sincronizar com o coração. Parece que tem um outro alguém ao seu lado, mas, não confunda, estamos sempre rodeados pelos nossos vários "eus". Vários podem ser os caminhos, mas, uma só é a fiel companhia. Com o tempo você aprende que até o não julgar, julga. Te quer bem aquele que em algum momento, consegue separar o que é seu e o que é dele e olhar para você com inteireza. Como pode ser incondicional se estamos a todo tempo impondo condições? Nem o amor próprio é incondicional. Disso tudo, me apego a uma lição...é melhor fazer as pazes comigo mesmo, porque de tudo e todos que passam por aqui, tudo e todos se vão, fico eu, eus, só pra mim, não direi adeus.
Taynã Lizárraga Carvalho

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Invade e fim...

Eis que toca, antes que seja tarde. De todas as voltas, numa, se embalou... De repente, desconhecido, invade sem hesitar. Aos poucos, já conhecido, toca cheio de ritmo, um coração que já foi partido. Faz de toda diferença, ingrediente que alimenta, em cada passo, fortalece o laço. Era um para cada lado, viviam encontros lapsos...e quando vê, são dois, num encontro raro. Dois olhos, dois corpos...e a mesma disposição. Dois inteiros festeiros, que num estalo, tomados pelo mesmo desejo, topam um mesmo caminho. Se combinam, sem esperar...e de mãos dadas, seguem pelo novo, flutuam leve, entregues...
Taynã Lizárraga Carvalho

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Há esperança para todos, até para você

A conveniência é o maior agente transformador de pessoas. Encontram tantas dificuldades para mudar o que é necessário, mas, basta ser conveniente e não se mede esforços para ser ou fazer qualquer coisa. O que exige trabalho, não é prazeroso. O que traz recompensa, vale a pena. Está tudo ao contrário. Perderam o valor da conquista. Valorizam o que é imediato, pronto, dado. Ora-se para pedir perdão ao invés de agradecer a graça. É mais forte aquele que mente. Ninguém presta atenção na semente, rega-se na maior parte o que é conveniente. A briga é pela posição, pela quantidade...inclusive, quantidade também mudou de valor, passou a ser qualidade. Nesse esquema todo, até os bons se confundem...É difícil ser pouco num mundo de muitos. Mas eu deixo a você, a minha compreensão, quem não tem nada, precisa mesmo encontrar formas de não morrer segurando a própria mão. Não julgo a sua falsa verdade, porque mesmo que triste, essa é a sua necessidade. Não se preocupe pela sua falta de capacidade, de construir degraus, alcançar amor e confiança, você também pode ter esperança...
Taynã Lizárraga Carvalho

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Quando você se des-cobre...


Eu prefiro o que não faz sentido, o que não se espera, que não é rito, que não é passagem, que é vivido. Aquilo que vem à tona sem você se dar conta, que invade numa só onda, traz esperança, preenche a gaveta de lembranças. Sou dos que sorri sem medo, que não faz apelo, que não vê o desespero como uma opção. Valorizo a calma, lavo a alma a cada dito não, respiro fundo e mudo meu olhar sobre o mundo a cada passo profundo no caminho são. Tem dia que o coração aperta, franzo a testa, não escapo da festa interna de minhocas espertas que se alimentam do turbilhão, de pensamentos, de sentimentos, que peregrinam à toa, que desfazem a minha onda boa num minuto de distração. Mas, não é segredo, que não tenho medo, de passar esse aperto do segundo lapso, uso do descompasso para refazer a dança, invento, sustento, sou entregue à mudança. Ninguém disse que é fácil, viver nesse mundo de palhaços, de muito riso torto, de piadas falhas, de graça forçada, num circo ímpeto, de artistas escondidos, de mentiras ricas, de verdades sofridas...Até acho justo o alerta do mundo, que é mais feliz quem se faz de burro, que não se incomoda com o tudo que é nada, que anda pelas beiradas e chega ao mesmo fim daquele é, que não se faz, que só anda, traça o caminho que agrada, se é beirada, meio ou não é nada, se é corda bamba...tanto faz, se joga, pisa forte e fundo, é parte desse mesmo mundo, mas vive inteiro e quando chega ao fim, enxerga o recomeço...essa é a diferença, eu digo então, que é mais esperto quem se lança, quem enxerga a esperança sempre ao lado da mudança, dá as mãos ao que vem e dança, não importa o passo, faz ser o seu compasso, é eterno, é sincero, é feliz no momento que é, é triste se for preciso, mas nada o faz deixar de ser, é sábio, é pleno e não é finito, é desconhecido que se des-cobre em cada choro, cada riso, cada dito.
Taynã Lizárraga Carvalho

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

O que já foi, não é mais.

Era fácil dizer não, virar as costas, enganar o coração. Só corria, apostava com a vida que nada sentia, nada temia. Tapou os olhos, errou o rumo, seguiu escuro em passos turvos...confundiu todo o tempo do mundo com um único segundo, que desiludiu...escureceu...fez-se cinza, numa armadilha intrínseca, escorregou, caiu... Levantou, respirou, suspirou o tempo, o segundo...eternizou a calma. Mudou o passo...abriu os braços, olhou para frente, seguiu o coração. Tá aí... expira vida, acredita, teme...e treme e palpita...e quase grita, que tá no rumo, tem seu lugar seguro, guarda tudo, é coração, é toda a emoção, é sim e não e é só e é junto...conjunto. 
Taynã Lizárraga Carvalho

sábado, 26 de outubro de 2013

E caminha...e sempre...

Desapega da imagem, do que vê, mas, não enxerga. Desfaz o nó da cuca que impede o trânsito das idéias. Anda, sem pensar na direção certa, segue o coração que a razão se manifesta. Faz de um segundo, uma eternidade. Doe riso para seguir sorrindo, doe abraço para eternizar os laços, porém, segure as pontas, para se lembrar da inconstância, da impermanência, natural de quem é gente como a gente, que é inerente à existência. Assuma os seus caminhos, de mãos dadas ou sozinho, mantém o passo firme, saiba usar a seu favor o que te aflige. Dança, no ritmo que te toca, inventa as suas notas. Seja senhor do seu caminho, se trata com carinho, aceita o que a vida pinta, abraça e caminha...e sempre. 
Taynã Lizárraga Carvalho

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Nós, clandestinos de nós mesmos...

E dia após dia presencio a confirmação de que mundo não é aquilo que eu penso e sim aquilo que eu vivo. Inúmeras são as construções mentais acerca daquilo que se deseja, vivemos figurativamente, buscando significado para tudo o que acontece. Há a necessidade de que as coisas sejam e prossigam e uma grande dificuldade de entender que somos um eterno recomeço. Nada é para sempre, vivemos a eterna impermanência do ser e existir. Portanto, por conta dessa dificuldade de aceitar-nos eternos inacabados, pode-se dizer que somos os grandes clandestinos de nós mesmos. Sempre preocupados com a fantasia que se cria e pouco ocupados com a realidade que se mostra, vivemos como mortos vivos na nossa existência, construindo superficialidades, trafegando por caminhos frágeis, de olhos tapados... Ao acolher toda e qualquer experiência no momento em que ela acontece, estamos dando o passo necessário para o fluir no fluxo da vida. Abrir os olhos e seguir os caminhos que se mostram sem hesitar, é o que nos leva além, além de nós mesmos, presentes e inteiros na complexidade do existir, no mundo, com o mundo e para o mundo. 
Taynã Lizárraga Carvalho

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Pra mim...

A verdade está no coração de quem sente. Eu valorizo o que não se enxerga com os olhos, o que se constrói pela verdade que é, que se faz a cada dia e a gente nem percebe, que quando vê, já é... O que surpreende, que brilha os olhos, que estampa sorriso sem forçar, o que conquista um lugar sem ter que se desviar, que doa sem doer, que está sempre disposto, que tem gosto... Faz bem, aquilo que não tem hora, que participa da roda, que não é à toa, que sai da bolha, que vive os estalos, se enrosca nos laços e sabe ir embora...que se entrega, se reinventa, recomeça e não espera.
Taynã Lizárraga Carvalho

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

É simples...

E quando a saudade estiver sufocando, a dor, a tristeza, estiverem apertando o coração, é só fechar os olhos...bem apertados, que todo o sufoco e aperto, escorrem pelo rosto. 
-Tudo novo de novo- 
Taynã Lizárraga Carvalho

terça-feira, 15 de outubro de 2013

O que já é, é suficiente.

Eu já quis demais. Passei um tempo de querer em querer...fui até onde deu. Não foi suficiente, dei a volta, atravessei o tempo ao contrário, fui lá no querer e me trouxe de volta... trouxe pra perto, pra onde o tempo certo é o tempo que é. Aprendi que querer demais, impede de enxergar o que já é...e no momento em que as coisas são, o que já é, é suficiente. 
Taynã Lizárraga Carvalho

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Foi assim que eu aprendi...

Assim eu aprendi, vendo que os desejos não se realizam por desejar, que mais importante que desejar, é dar os passos na direção do que se deseja. Não importa com que velocidade se dá o passo, importa que o passo seja dado com certeza, mesmo que a certeza seja impermanente. Vi que os minutos duram o tempo necessário para realizar o que quer que seja. Que tempo demais não significa tempo suficiente e tempo de menos não desqualifica um feito. Sigo trilhando reticências incertas, experiências certeiras, completando a cada segundo o livro da vida. Vida que segue...
Taynã Lizárraga Carvalho

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Sem pré ou pós ocupações

A [pre]ocupação é o que limita as possibilidades. Você passa tanto tempo pensando no que poderia ser, que não dá o espaço necessário para que as coisas sejam. Quando você se livra do que poderia, deveria, seria...o universo cuida em preencher o lugar do que é para ser. Quando está livre, sem [pre] ou [pós] ocupações, naturalmente, seus espaços vão sendo ocupados, não pela necessidade, mas, pela disponibilidade. 
Taynã Lizárraga Carvalho

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Um dia...

Que a incerteza toque o meu coração a cada dia renovando as minhas crenças. Que a troca com o incerto desperte mais e mais a minha vontade de descobrir...

Foi no meio de um enorme vazio, oco, sem cor, que as amarras foram se soltando, permitindo a aproximação do universo com o meu centro.
Um dia cinza tornou-se arco - íris. Um furacão de sensações tocou meu corpo dos pés à cabeça, despertando o meu existir mais temido e oculto. Oculto para o mundo, temido por mim. Fora de qualquer regra, da forma mais espontânea e totalmente novo, palavras foram tomando forma, os músculos da face reviveram obrigados a desenhar um enorme sorriso, que vinha sendo construído a cada suspiro...
Meu eu se encontrou num encontro de 2. De repente, um mar de compreensão e verdades soltas, pura espontaneidade. Uma presença completa de corpo e alma, jamais experienciada. O universo finalmente tocou o meu campo. Deu ao medo a função de movimento, na busca de arrancar o pano do que estava reservado. Disse com um sopro forte: "você está pronta! ... e eu podia ver, o desconhecido estava bem ali. 
O maior valor de todo esse encontro, é o encontro com o inteiro. O poder ser e ser inteiro. Sem mas, ou mais...reticências ou interrogações demais. Pontos finais nunca foram tão seguros. 
Enfim, ser um todo em outro todo. Ser conjunto, junto... só por ser, porque é... A liberdade de não ter, de simplesmente ser...O vazio mais radiante de incertezas certeiras, cara e coração à tapa, sem tapar...

Taynã Lizárraga Carvalho

sábado, 28 de setembro de 2013

Do que tem por aí

Vejo muita gente do tipo que tem tudo e não tem nada. Gente rodeada de caras, mãos, bocas, que querem tudo, mas, não querem nada. Sabe como é? Tá do lado, mas, do lado de fora, tá perto, pra não perder o lugar na roda, tá na sombra, nas costas. Gente que tá presente, mas, é só faixada. Que te abraça retorcendo a cara, que encosta e esnoba na mesma tacada. Gente que finge que sente, que finge o que sente, pra não ser escanteada. Gente que facilmente está adaptada, agrupada, imersa naquele meio comum, nada. Eu sinceramente, descarto essa abundância, aqui, somos poucos, porém, notáveis na significância. Esse tal do social, no seu total, a mim não agrada. Guarde seus abraços frouxos, sorrisos amarelos, olhares julgadores, pra quem curte os números. Aqui eu cuido de sentidos, eu valorizo o pouco, o desmedido, sempre na mesma medida, a única pra vida...ou toca ou não toca.
Taynã Lizárraga Carvalho

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Muitos iguais, muitos previsíveis, muitos desprezíveis...


São muitos iguais. Muitos previsíveis. Você sempre sabe o que esperar, as relações têm girado em torno de uma única forma de ser, ser superficial. Julga-se prontamente pelo o que se vê. Conhecer demanda tempo demais. Limita-se ao prazer do imediato. Caminha-se pelo caminho mais curto e mais barato. Doar-se custa muito caro, normalmente, o perder-se de si mesmo. Falta prática, de ser com, ser para e ser no mundo. Muitos desvios são criados, é uma eterna [pre]ocupação com a fuga, a melhor opção é sempre a de não estar ali. Contudo, você tem a opção de ser o que tantos não são, você mesmo. Você constrói seus próprios caminhos, despreocupado com tudo que não seja seu. É nesse fluxo que alguns esbarrões acontecem, você se depara com uma verdade quase que desconhecida, a verdade do encontro. Essa se dá só para os que não temem a impermanência, que se entregam ao desconhecido, que se permitem descobrir e sentir, que preferem sempre estar ali. Que doam porque sabem que é preciso esvaziar o coração, para preenche-lo de novas emoções. Sabem que a verdade não está nos olhos de quem vê, que não é com os olhos que se enxerga...Que ser superficial é ser igual aos outros...e todos os outros já existem, então, ser igual é não ser. E você, o que é?
Taynã Lizárraga Carvalho 

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Escolha < > Consequência

No ato de uma escolha, compra-se também a sua consequência. A liberdade traz de mãos dadas a responsabilidade, se você é senhor de suas decisões, é também senhor do que elas acarretam. Quando há o reconhecimento desse movimento, o sujeito torna-se plenamente capaz de lidar com toda e qualquer dificuldade que venha a aparecer, torna-se maduro e pleno em si mesmo, convive melhor com o outro seja ele quem ou o que for. Evita a tão temida culpa ou arrependimento, encerra e inicia ciclos no mais saudável fluir da vida. A escolha, a renúncia, a responsabilidade e as consequências são ingredientes fundamentais para a construção de um
futuro pleno. A honestidade exercitada consigo mesmo e a lealdade aplicada ao outro, nos torna mais humanos. Seja você senhor dos seus caminhos.
Taynã Lizárraga Carvalho

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Out of control...

Queria que fosse só por ser, para na verdade ter algo que fosse. O fato de não ter, mal ela sabe dizer o quê, a tira do controle de ser. Enfim, não tem...e por isso é, mas, pensa que não. Precisou que fosse alguma coisa fora do seu controle, para ver que é, tendo o que tem, ou não, sendo e só, sabendo que só é suficiente. Não confunda só com sozinho e não ter, com vazio, ou melhor, com o pior do vazio. Lembra que vazio é tudo e é nada, que só, pode ser uma tonelada e pode não ser nada. Da mesma forma, não ser, não deixa de ser. Algo ou alguém sempre se remete à existência. É disso que eu estou falando...
Taynã Lizárraga Carvalho

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Nos embalos de uma sexta qualquer...


Talvez o quanto você se importe não mude nada para o outro, mas, em se importar, você se faz importante. Nada se faz por fazer, se diz por dizer, nada é em vão. Querer não mede qualidade e no fim das contas, o que se faz, não quantifica o querer. Tanto faz é para os que não tem coragem. Assume a vontade quem se importa consigo mesmo, quem abre, encosta, fecha, bate, qualquer uma de suas portas. Que dá a cara, abraça o todo e o nada, beija pelo prazer de saber se sente, ou não sente nada, que reconhece a vontade, a necessidade, de estar, pleno, consigo, com o outro, em qualquer lugar. 
Taynã Lizárraga Carvalho 

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

O que é meu


Para esclarecer, serei sempre responsável pelo o que digo, não pelo o que você entende, ou pela forma que as palavras que eu soltei, tomam, ao chegar em outra boca. Vivemos em mundo de conveniência, age-se pelo próprio interesse em detrimento da verdade. Temem sempre as consequências, há pouco preparo para lidar com o que foge do controle, ou nenhum preparo para enfrentar o que há de pior em si mesmo. Aí está a contribuição para o que tantos reclamam por aí e nem reconhecem a sua participação, a superficialidade das relações. Você não é sincero, oculta a sua verdade, constrói uma falsa imagem de si mesmo e consegue o que com isso? A construção de um mundo paralelo ao real, onde você entra e fica cada vez mais difícil sair dali. A sua percepção da realidade e de si mesmo vai ficando fragmentada, a essência se espalha pelo ar e você fica cada vez mais distante, do mundo, do outro, de si mesmo. Assumir a sua verdade, seja ela qual for, é o que possibilita o contato saudável entre os sujeitos, esse movimento nos torna capazes de acolher e conviver com a diferença, compreender a singularidade na sua totalidade e a sua importância para a reticente caminhada de cada um de nós, sujeitos, em busca da própria construção. Todo o movimento que se faz pra fora, volta pra dentro. 
Taynã Lizárraga Carvalho 

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

O risco de viver - que é a vida

Você sente que o tempo está passando e se questiona sobre os seus feitos. Gostaria de ter realizado muitas vontades, alguns sonhos, mas não os fez. A pergunta é, de que serve o tempo e a vida, se não para realizar? Você passa muito tempo preocupado em cumprir obrigações que muitas vezes só são impostas, esquece do próprio direito de julgar a necessidade dos seus afazeres. Todos temos sonhos e todos temos as possibilidades de realizá-los, é uma questão de enxergar os caminhos e manter o passo firme. Os resultados nem sempre vêm no tempo e forma idealizados, porém, dependendo do esforço que se faz para chegar o mais próximo possível daquilo que almeja, qualquer resultado é sucesso. Mantendo o pensamento de que tudo muda o tempo todo, não vejo motivo para se amarrar às construções. Ao passo que as necessidades vão sendo reconhecidas e supridas, novas surgem, possibilitando o girar do ciclo da vida. Tudo que começa tem um fim e aí vem um novo começo e assim segue. Temos tempo e infinitas possibilidades de realizar, tudo depende de quão legítimo é o desejo e o reconhecimento de que cada um é responsável por si. O seu sucesso só depende de você. Se a única certeza da vida é a morte, tudo que acontece no entre - nascer e morrer - é risco. Portanto, arrisque-se pelo prazer, pela sua verdade, na pior das hipóteses você se satisfez, naquele momento e está pronto para um novo risco. 
Taynã Lizárraga Carvalho

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

O gosto que o vazio tem

Já me senti triste quando percebia que havia indiferença onde eu depositava amor. Já chorei muito pela falta de resposta de um e mail tão bem elaborado, uma mensagem num momento de fragilidade, palavras que precisaram de coragem... Já deixei de ir ver a rua porque andar sozinha era como se estivesse nua. Já tanto me incomodei com o vazio e faz pouco tempo que eu aprendi...O vazio pode ser tudo e pode ser nada, é onde começa e onde termina. Independente do que deposito, a quem, quando...o ato de tirar de mim e levar a um outro, me faz livre. Da mesma forma, não respondi, não senti tocar, não acompanhei, não falei... Não há regra, eu sopro e o vento leva, às vezes bate e volta e um novo sopro se monta. Eu gosto do vazio e de como movimento o seu espaço, o meu espaço. Agradeço aos bons ventos, que trouxeram fitas soltas que se emaranharam e que no vazio de mim, chegam e saem e se encontram num mesmo compasso, que me embalam com seus sopros e que mesmo que virem laços, conhecem as suas pontas, o caminho que flui solto, onde cada sopro tem seu gosto e compreendem que mesmo vazio, aqui, somos um todo. 
Taynã Lizárraga Carvalho

O que é difícil?

É difícil quando não se sabe onde quer chegar, quando não sente e não se permite ir. Quando se cala, deixa passar, finge que não se importa, enterra, deixa adormecer. É tudo mais difícil quando não assume o que é, o que quer, o que faz. Quando não trilha o próprio caminho, não se faz senhor do próprio destino. Se engana, faz que não dá conta, não paga pra ver, porque o medo de enfrentar é maior que a vontade de fazer acontecer, de ver acontecer. Será? A verdade é que ser covarde é muito fácil e muitos são. A dficuldade está em ser, em sentir, em dizer, em fazer...ignora-se o coração pra viver um vão, vão que engole a vida. Deixa passar dia após dia, usa de desculpa a correria, falsa correria, que não traz nada pra si, que te deixa ali, enquanto a vida corre, o tempo passa. Busca-se pelo outro, vive-se pelo outro e fica nada, se faz nada, é só mais um, que vive a dificuldade, de não ser. Quando se apropria da própria vida, do próprio eu, não há dificuldade que impessa, vai em frente e atravessa, usa a sabedoria, de usar a angústia pra movimentar a vida. Se fácil fosse, como fácil é, eu só seria mais um no meio desse tanto de mané. Se fácil fosse...logo acabaria, não teria sentido, vida ia...e eu ficaria, aqui, parada...para sempre, a margem de mim mesmo. Vida que segue...
Taynã Lizárraga Carvalho

terça-feira, 10 de setembro de 2013

[Des]abafo de um passado que não foi

A gente nunca sabe no que vai dar, onde vai parar. Se deixa levar pela certeza do momento, o alento que diz e que ali te faz feliz. Mas, um momento é só um momento...e o tempo passa. De repente, tudo perde a graça, os olhos buscam uma direção, não se reconhecem aonde estão. Parecia estar tão certo, não tinha do que reclamar, era a vida acontecendo, naquele momento, naquele lugar, eu tinha companhia, eu sorria, eu queria estar lá. São tantos argumentos, busca-se compreensão, tento enxergar onde foi que eu perdi a minha razão. Volto os olhos para mim e me vejo em partes, está tudo separado, é como se o meu imã não funcionasse, tenho tudo e não tenho nada, minha mente grita e meu corpo cala. A sensação é que perdi o chão, ando flutuante, falo alto mas minha voz está distante, sorrio mas é impróprio, caminho vago, construo um vácuo. O meu elo está frágil, estou cada vez mais distante...de mim mesmo, de segundos, terceiros...Fugi pensando nos meus erros, fui pra longe, estrada inquietante. Pensei que fosse o certo, dei as mão à razão, mas, não era minha...Não adiantou, entreguei as minhas rédeas a um conhecido que pouco depois, desconheci. Construí uma vida dupla, sem sentido, eu me feri. Deixei estar, tentei calar, fiz de um tudo por um nada, tentei me afastar e por mais distante que estivesse, parte de mim estava lá, há um pouco de mim em todo lugar, me vi perdido, confuso, tentando apertar os parafusos de uma cabeça louca e um coração descontrolado. Podei um amor, pra viver uma paixão, que instalaram em mim, não fui eu...ou melhor, foi só parte de mim. Sou hoje um fragmento, em descontento, desamparado pelo meu próprio eu. Não sei pedir socorro porque pareço louco, à vista dos outros, tenho todo o conforto...Já nem me olho no espelho, tenho medo de não conter o desespero, queria você aqui, mesmo que fosse um erro, meu eu estaria inteiro e eu poderia agir. Não lamentaria o que queria que fosse e não foi, não sentiria a dor porque teria espaço pra construir o amor, aquele que eu quis, mas, com tantos outros envolvidos, deixei...e porque deixei, eu até sei...mas tá escondido. No fim das contas, me sinto um fraco oprimido, mas, não me julgue, a dor é minha, vou saber o que fazer, em algum momento, vou juntar as minhas partes, tem um corajoso eu que me permeia, que tece a teia por onde vou caminhar até chegar onde eu sempre quis estar. Talvez, você não esteja mais lá, aqui, ou eu nem consiga te encontrar, digo, externamente, porque se eu forçar o olhar, tá perto como sempre, rosto, cheiro, voz, na mente, no coração...latente. 
Taynã Lizárraga Carvalho

O nome dele era mais um

Tive tanto medo, não soube guardar segredo, entreguei a mim mesma numa breve confissão. Já era hora de dar a volta, pegar a estrada em outra direção. Troquei as bolas, quando fui embora, não entendi aquela demora, achei que não. Estava mal acostumada, a regra era clara, era eu quem ditava o não. Me enganei na hora, via a derrota...percebia que eu estava fora, mas, não. Era claro, quem estava errado, que mal havia em rasgar o coração? Quis acreditar, ceguei os olhos, parei no tempo, fiz que não. Era estranho, fechava os olhos, via o esboço daquele rosto, dono do [mal]dito não. Devagar, tentei acalmar a pressa, a necessidade que gritava por compreensão. Abri os olhos, cuspi palavras, numa rara tara que teima aparecer, que aquece o peito só em poder dizer. Sincero homicídio de um desejo, que de novo, era mais um erro, daqueles feios, ou não, que não se espera, vem e leva a cada página um pedaço de ilusão. Passou o tempo, deixei escrito...fazia tempo, nada mexeu assim comigo. Você sabe, não acredito em metades, inteira que fui, me retirei, foi muito pra quem coleciona migalhas, hoje eu entendo a minha falha, quis dançar valsa no meio de uma multidão. Não tinha espaço, escapava o laço a cada passo que dava em sua direção. Tá tudo claro, não dá pra culpar um coração fraco, um beijo farto não dá recado, não acaricia, nem mesmo aproxima tom sobre tom. Era mesmo desejo raso, mais um descompasso, um embaraço barato para distrair esse coração. E, olha que engraçado, ainda que passado, o rosto está claro, peito acelerado...acho que gosto mesmo dessa tal de ilusão. Rasgar o coração, conhecer o gosto de uma paixão, seja como for. Na melhor das hipóteses, aí um outro tesão, a ironia, vira mais um tanto de palavras que escritas, compõem a minha vida. Costumo fazer graça, mesmo quando ultrapassa qualquer compreensão, que eu seja a tola, a que tomou um pé na bunda, mas que eu conheça todos os limites do meu coração, que eu reconheça cada emoção. No fim, tudo vira primavera, aqui não termina e sempre recomeça. Essa é só mais uma página, mais um rascunho, mais um pedaço de mim no mundo.
Taynã Lizárraga Carvalho

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Você quer seguir em frente...

Aí, todos os caminhos que você usou para fugir o levaram para o mesmo lugar, você deu de cara consigo mesmo. Não importa o quanto você se esforce para se enganar, mesmo que queira acreditar que não há engano algum. É preciso encarar os fatos para seguir em frente. Olhar para si não pode ser mais assustador do que não se enxergar. Se perder de vista é deixar passar a oportunidade de concretizar os desejos mais sinceros, que você deixou ocultar. Não adianta pular os degraus, cada passo deve ser dado, é importante deixar rastros, eles o farão lembrar do que é passado e olhar para frente será o caminho. 
Taynã Lizárraga Carvalho

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

V - ida!

Qual é o tempo do tempo? Tudo vem e vai, não tem hora certa pra começar e vai embora sem esperar. Sorte de quem encontra o compasso, se entrelaça, dá nó e caminha, numa linha, de mãos dadas, mas, sabe que ali termina. Logo ali, desencontra...finge que dá conta, acha que é armadilha, põe a culpa na vida. Tudo acontece num segundo e nesse mesmo segundo, transforma. Tudo tem a sua forma, a forma que a gente vê, que a gente cria. A vida acontece pra quem cria, pra quem dança no ritmo próprio, pra quem se ajusta no som, no tom, no embalo da vida, pra quem abraça o tempo que é, se permite ir e gira, no ciclo, na roda que é a vida. Desejo o novo, desamarro o cadarço, livre para entrelaços e nós bem dados, caminhos vastos, linhas bambas, que me dêem coragem de andar por aí, de só ir, de me apoiar no v da vida - v ida. 
Taynã Lizárraga Carvalho

terça-feira, 27 de agosto de 2013

E aí?

Quando as suas desculpas acabam e você tem que enfrentar a verdade. Você já não sabe mais porque não vai e não tem motivos pra ficar. Estende o discurso porque o silêncio é constrangedor, ou some no ar porque é mais fácil que enfrentar, que dizer, ou simplesmente calar e se deixar entender. Repete histórias porque quer, deixa o destino desenhar o caminho, não vai em frente, se deixa empurrar. Vive um texto cheio de vírgulas, não consegue colocar um ponto final, se prende ao passado e fica. Vai fazer o que com o que já foi? O tempo não pára. 
Taynã Lizárraga Carvalho

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Com o tempo eu aprendi...


Com o tempo eu aprendi que o amor não vem de um lugar certo. Não há certeza, pensando em todas as variáveis que nos rodeiam. A gente nasce de um pai e uma mãe que não necessariamente vão representar esses respectivos papéis,  aquele amigo de longa data pode se tornar sua maior decepção numa questão de segundos...aqueles segundos, nos quais tudo pode acontecer. O amor da sua vida não é aquele que esteve ao seu lado por vários anos, pode acontecer num plim inesperado. Aliás, quantas coisas acontecem em estalos inesperados?! Uma coisa que não muda, independente das variáveis, é que você é o único responsável pelo o que é, pelo o que sente, pelo o que pensa, pelo o que faz. Portanto, não espere amor, ame. Ame a si mesmo, reconheça suas necessidades e vá realiza-las. Não existe um único amor, são muitos amores, em muitas formas, em muitos lugares. Chorar pela falta, não preenche o vazio, gritar a solidão, não traz pra perto uma multidão, falar mal de alguém, não faz desse alguém uma pessoa melhor, cara feia não assusta, só faz ruga... e por aí vai. As respostas que você espera da vida, não estão em outras pessoas, outros lugares...elas residem dentro de você. É preciso olhar pra dentro para conseguir enxergar o que há do lado de fora. Primeiro, reconhece-se a imensidão do universo que é, para depois, viver na imensidão do universo que se mostra. 
Taynã Lizárraga Carvalho 

domingo, 25 de agosto de 2013

E assim segue...

E assim segue...os corpos cada vez mais insaciáveis, a cabeça incansavelmente festeira, as relações superficiais, os valores estremecidos, a verdade distorcida. É tempo onde nem o vazio consegue ser vazio, o valor está nas coisas, na aparência, aprecia-se o que se enxerga com os olhos. Os corações estão enrijecidos de tanta dor, dor criada por si mesmo, num descuido vago do próprio eu, onde o amor próprio se perdeu, fugiu. Olhos já não se olham, lábios não conversam, os abraços são frouxos...A vida é morna, porque meio termo é melhor que ser inteiro. Será? Tem sido assim. Falta coragem para ser, as pessoas se acomodaram em co-existir. Navega-se pelo raso, mergulhar é para poucos, é muita vaidade. Muitos aventureiros de aquário, poucos navegadores dispostos a se jogar na imensidão. A entrega custa muito caro, o orgulho...de correr o risco de não ser pra sempre, de rasgar o coração, de ganhar mais uma cicatriz. O medo está estampado na testa, por isso, tantos andam de olhos fechados. Cada vez mais castelos imaginários, florestas encantadas, os sonhos são vividos na fantasia, e a vida passa...e assim segue...
Taynã Lizárraga Carvalho

sábado, 24 de agosto de 2013

E assim ela caminha...

Ela prefere reinventar. Ressignificar sentimentos, valores, transformar a percepção. Acolhe o sol de cada manhã e se lança na incansável busca pelos segundos eternos. Olha para frente, segue de mãos dadas com o acaso, acredita que tudo pode ser, se fizer ser. Assume a responsabilidade de ir e vir dentro e fora de si, da construção dos seus sentimentos e da sua verdade. Ela não é mais uma no universo, ela é um universo no mundo, disposta a caminhar, a conhecer, reconhecer, cada pedacinho de si. Sabe que nunca estará pronta, é reticente...
Taynã Lizárraga Carvalho

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Quando equilibra...

É no breve momento de estabilidade, no qual o choro se conforta e o sorriso se instala, que a consciência da existência toma forma. É sob uma linha tênue que o caminho se concretiza. O momento não é de força o bastante, nem de fragilidade que comove, o momento é do entre, nem lá nem cá. É preciso coragem para assumir qualquer decisão, as consequências são todas desconhecidas, o preparo que antecede o ato é quem dita, se essa passa ou fica. Fazer por si é a maior das conquistas, entrega à própria vida, onde ela nasce ou onde ela termina. Aqui, o medo dorme, o calor da decisão se transforma em paixão e aí, tudo pode...mesmo que em um lapso trovão entre emoção e razão, prevalece a sua verdade, que certamente ninguém vê, mas, o importante é levar consigo, o risco do perigo, a certeza de não ser invadido, o controle e descontrole que fazem de si, o seu próprio perigo, amigo, infinito.
Taynã Lizárraga Carvalho

terça-feira, 20 de agosto de 2013

A gente faz que...

A gente finge que não liga, aperta o coração e engole o sufoco do não. Faz que passa, faz que ultrapassa qualquer compreensão. Finge ter um plano, dois...que não tem medo, que realiza todos os desejos, mas, no fim... Que nem acredita, chora...se irrita, complica, deixa ser humano...contradiz ação e razão. Pensa que sim, faz que não. Diz que não e chora calado, o sim que da nó, engasga e impede o próximo passo. Anda parado, olha para os lados e não vê imensidão. Se perde na saída, no fim que não acredita, reconstrói a fé, não acredita, mas, finge...para que viva. Coleciona laços imaginários, tem incontáveis nós no peito, esconde borboletas no estômago e silencia a doce verdade que amarga a sua vontade de seguir, de deixar ser e se necessário, partir...de gritar o fim que é começo...finge que não é forte, mas sabe que é força. Num sono profundo, se despede da tristeza do fingir...deixa a aflição do não e parte para a realidade de mãos dadas com a razão. Finalmente é, não se faz, se permite ser...infinito.
Taynã Lizárraga Carvalho

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Que seja e passe, mas, sem disfarce...


É importante que seja desconfortável, que esfrie a barriga, que estremeçam as pernas, que sumam as palavras e que o olhar congele. Não importa que seja breve, que perca a cor e o calor, que mude o gosto...Tem que chegar perto. Às vezes vem como quem não quer nada e mesmo que a gente saiba que quer e o que quer, a gente se deixa enganar, nisso, não há mentira, há charme, digno de quem quer conquistar. Não importa que tudo mude o tempo todo, importa que a gente assuma o nosso lugar, que seja ora aqui, ora ali, que não esteja mais aqui para estar lá, é preciso caminhar. Virar as costas não precisa magoar, deixe sem ressoar, passo firme, que faça o sentimento repousar, que não cause dor, que apenas perca o sabor...estenda os braços e dê um abraço, só desfaz o laço. Permita sentir, quando chega e quando for partir, preencha o coração, escreva essa página...deixa encantar o desencantar, que as linhas sejam tortas e que seja nosso, o trabalho de desentortar...Esteja presente, seja o presente e receba o presente do encontrar. Não fuja em linha reta e não corra sem direção, deixa que o coração palpita, ele avisa... seja firme, eternize...breves segundos, intensos sussurros, calores absurdos, carinhos reais, conversas sinceras...Dispensa o raso, não mergulhe no aquário, enfrente o mar, o transparente, se deixe afogar...aprenda a nadar, a remar, se mete na onda e vai...e se deixe ir, chegue, fique e não tenha medo de partir...com outra forma, outra cor, outro sabor... a gente ainda se esbarra por aí. 
Taynã Lizárraga Carvalho 

A seleção é natural

A vida cuida por si só, aproximam-se os que devem se aproximar e afastam-se os que devem se afastar, a seleção é natural. No balanço da vida, permanece o que é de verdade. A gente escolhe quem quer ter por perto, mas, definitivamente, são as atitudes que decidem quem fica. Mais uma vez... Palavras não preenchem o coração, estar do lado não é estar perto...abro mão dos sorrisos amarelos, dos ditos por dizer, dos olhares perdidos, dos beijos mudos e dos abraços frouxos. Pra reforçar... Ou toca, ou não toca. 
Taynã Lizárraga Carvalho

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Para todo fim, um começo.

Essa vida é um vai e vem sem fim. Quando você pensa que acabou, logo ali, um início se manifesta. A roda volta a girar e aquilo que ontem era assim, hoje é assado. Não importa o quanto você tente cultivar da mesma forma, cor, cheiro, sabor...muda e muda o tempo inteiro e num infinito movimento de chegadas, partidas e transformações. Não há fim para quem sabe acolher um re-começo, assim é feita a vida. Mais uma vez, um início se aproxima...a roda gira...não pára. É tempo de deixar girar, de silenciar e acolher. Quem silencia, presencia...a verdade no momento que é, a necessidade que chama e transformação que aponta. 
Taynã Lizárraga Carvalho

domingo, 4 de agosto de 2013

Talvez...nada.

Pode doer, mas, que seja por uma verdade. Chorar o talvez não esvazia o coração, mastigar a incerteza não melhora a digestão do que poderia ter sido e não foi, do "se"... Como pode ser morno quando se trata de coração? Do que vale uma meia paixão? Aquele papo de "quero, mas, não faço questão"... Melhor que seja não, convicto, que talvez subentendido. Que seja claro, que seja raro...que doa doce, só pelo fato de saber, que não é drama, não é confuso, não é escuro. Quando a dor é doce, doce passa.
Taynã Lizárraga Carvalho

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

...

Acontece numa questão de minutos, breves minutos. Você enxerga o filme da sua vida. Se vê tão vulnerável e impotente...se recolhe à sua incapacidade. Todas aquelas reclamações que você costuma fazer diariamente, vão por água abaixo...deslizam num rio que flui...e você vê que flui com tanta facilidade...é fácil lidar com as próprias questões...difícil é se ver em risco, colocado por um terceiro que não sabe nada da sua vida, que tem como único e exclusivo interesse o que você tem de bem material. Mais uma vez... os bens materiais...Você passa uma vida trabalhando, juntando dinheiro, tranqueiras...pra que mesmo? A sua vida está por um triz. Um segundo é suficiente pra acabar com o que você construiu sem matéria...acabar com a sua própria matéria, ferramenta que te permite conseguir tudo aquilo que vc tem...Olha como as coisas são. O valor está em cada segundo de vida, cada suspiro...Qual é a necessidade de acumular coisas? Quanto mais você tem, menos você é... Dá pra entender? Que a gente gaste nosso tempo adquirindo conhecimento, experiências, amigos, amores...Que o nosso dinheiro alimente nossos sonhos e nos ajude a crescer como seres humanos, não como status da sociedade...Que nos proporcionemos descobrir lugares, sentimentos, pessoas, sabores...e deixemos de lado o exagero do luxo e da tecnologia. Que sejamos fiéis aos nossos segundos, fazendo-os eternos...lembrando que num piscar, simples de olhos, reside uma escuridão sem fim. 
Taynã Lizárraga Carvalho

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Avante!

Vamos então deixar pra lá aquilo que já foi...deixar passar o que já não está. Não importa que seja amor, o que for...cada coisa tem o seu lugar. Para o que não tem remédio, remediado está, não é assim? E que enfim, venha até mim...se for pra ser, mais uma vez...se não for fim. Se for começo, deixa que eu esqueço. Disso tudo, faço um único apelo...não cale o coração que chama, nem fuja do desejo que grita, se hoje pode ser, hoje será, se deixar pra amanhã, as coisas simplesmente mudam de lugar. 
Taynã Lizárraga Carvalho

segunda-feira, 29 de julho de 2013

É amor que nunca morre, é chama que arde sem doer...

É seu amigo aquele que te deseja o bem independente de qualquer coisa. Que consegue transitar junto contigo pelos seus extremos sem se assustar. Que compreende as suas pausas e a necessidade de vez ou outra estender um vão entre vocês. Aquele que sente amor, mas sabe que você precisa amar. Que respeita o seu não e entende a sua loucura. Que te deixa descansar no silêncio ... Que te impulsiona pra frente, pro alto...que te deixa cair e te lembra que ser fraco é necessário. Que não abraça a sua causa porque é sua, mas sabe reconhecer os seus erros e te apoia nos recomeços. Que te vê como ser humano, que briga, que grita e que se mostra transparente. Que sabe que esse é só um dos seus amores e não se sente inferior por isso. Que flui a qualquer distância...que é reticente e sempre presente, que se sente seguro no seu olhar, que não precisa de nenhuma palavra, que te aceita na sua completa verdade, que não te julga por uma escolha mal feita e nem repreende os seus encantos. Amigo sabe o lugar que tem, sabe de onde vem e pra onde vai...
A gente escolhe quem quer perto na vida, mas, são as atitudes que decidem quem fica. Palavras não enchem o coração, compartilhar não é repartir o pão, compreender não é te dar razão. É preciso ser muito mais si mesmo, para ser com o outro. É via de mão dupla, sai daqui e de lá, vem e vai ao mesmo passo, é compasso, é ritmo que encontra num fluir sem espasmo. Sai e chega...chega e sai, num movimento vasto. Ser amigo, é ser antes pleno em sua própria existência, é ter o que doar sem deixar se faltar...é poder doar sem doer. 
Taynã Lizárraga Carvalho

O ser humano e a sua capacidade de amar...

Quais são os obstáculos para o desenvolvimento da capacidade de amar do ser humano...? Essa é uma pergunta que permeia muitos corações rejeitados por aí. A verdade é que os obstáculos se instalam na fronteira de contato entre o ser humano e o meio ambiente e vêm em forma de sentimentos, atitudes, crenças, mecanismos de defesa, no momento de interação entre o eu e o outro. O contato entre o eu e o outro implica em atração e rejeição, aproximação e distanciamento, sentir, avaliar, discernir, comunicar, lutar, detestar, amar. Essa é uma conjunção de ações que compõe a motivação para o amor, segundo Tellegen, 1984.
A disposição para o amor ocorre no encontro entre dois sujeitos. O amor se dá de fato a partir da capacidade que o ser humano tem de se diferenciar do outro, de interagir com permeabilidade na fronteira de contato, sabendo colocar-se e retirar-se quando necessário. Essa fluidez é essencial para que o sujeito entre em contato com as suas necessidades e discrimine-as. Quando se aproxima do outro,  concentra-se no presente, realiza-se no aqui e agora, estabelece concretamente o contato. Da mesma forma, quando não é capaz de retirar-se desse contato, não interage com as próprias necessidades, não discrimina positiva ou negativamente suas interações e consequentemente fica impedido de diferenciar-se do outro. Sendo assim, não vivencia sua singularidade. Resumindo, a capacidade de amar, vem naturalmente da capacidade de reconhecer-se como ser único e singular, de enxergar e estabelecer o limite entre o eu e o outro. 
Grande parte da dificuldade de estabelecer esse tipo de contato, está nas crenças que são impostas culturalmente baseadas num modelo aprendido de relacionamento amoroso, que acabam por ser introjetadas. As pessoas têm necessidade de se basear em modelos prontos ao invés de construírem suas próprias histórias, de vivenciarem seus próprios relacionamentos. Valores vão sendo construídos cada vez mais distante de cada sujeito, superficialmente. Quando deixo de vivenciar, perceber, sentir e concretizar a experiência por conta própria, estou empobrecendo a minha personalidade, fragmentando meu ser e restringindo as minhas possibilidades de satisfação. Para que seja capaz de amar, é preciso confrontar os medos e desapegar-se de experiências passadas, lembrando-se sempre de que cada experiência é única e tudo muda o tempo todo, portanto, não há a possibilidade de passar por um mesmo sofrimento ou decepção, tudo será novo de novo a partir do momento que permitir renovar seus ciclos, fechando e abrindo a medida que se apresentarem, fim e começo respectivamente, mantendo-se no fluxo constante que é a vida. 
O valor do amor, está na capacidade de amar, não na reciprocidade. Mais uma vez, faço menção a um importante movimento, o de colocar para fora a nossa emoção, pois, é assim que tornamos possível a expressão da emoção do outro. É no fluir das emoções que temos as maiores construções, aperfeiçoamentos, aprendizagens. 
O medo paraliza, a omissão cristaliza, o impasse desqualifica. A capacidade de amar, sua beleza ou o seu terror, está em cada um de nós. Faça ser o seu amor, ame a sua maneira. 
Taynã Lizárraga Carvalho

domingo, 28 de julho de 2013

Vazio são, sadio vão.

Pensando sobre o vazio. O que pode representar o fim e o começo. Que é vão, é inteiro. Vazio que cala, silêncio que instala a calma, quieta a alma, prepara uma nova jornada. Vazio sombrio pra quem vê, puro pra quem sente. Que de repente é tudo e é nada. Vazio que aquece e estremece, atordoa...apetece, enlouquece. Vazio são, sadio vão. 
Taynã Lizárraga Carvalho

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Sentido que sente, que sinto...

E até quando tudo faz sentido, a gente deixa de sentir...passa despercebido, sente pouco, sente triste, sente nada...sente falta, ou nem repara...a gente quer sentido, mas não sente, quer amar, mas não ama, quer dinheiro mas não trabalha. A gente quer sentido pra uma vida que não se sente. Sentir demais não atrapalha, sentir traz o ar da graça...de ser com e para, de ser nó, laço ou não ser nada...sentir é jus ao existir, é ir e vir, dentro e fora de si, é navegar num mar acaso, é ser o caso e o descaso, é ser livre, é ser a própria permissão. Sentir é sentido, sentido é fluir, sentir com ou sem sentido é simplesmente existir...em si, pra si...aqui e ali, lá...sem hora. 
Taynã Lizárraga Carvalho

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Ser já basta...

Aí você conhece centenas de pessoas e de alguma forma, elas passam a fazer parte da sua vida. Não necessariamente como elas gostariam, ou como você gostaria. Elas simplesmente fazem parte, à sua forma. Da mesma maneira, você nasce numa determinada família, na qual, não necessariamente você vai se sentir completamente encaixado, você participa a sua maneira e vice-versa... estamos inseridos em um mundo e núcleos com bases prontas, porém, nem o mundo nem seus núcleos estão prontos, porque, nós, parte constituinte disso tudo, nunca estaremos prontos. Somos criados para fazer parte do mundo, interagir com suas partes, buscando formar um todo, o nosso todo. A busca incansável por pertencer, não nos leva ao pertencimento, mas à angústia de "ter que". O "ter que", só existe pra quem não é, em si mesmo, para si mesmo. Quando a gente simplesmente é, tudo passa a ser sem o sentido de obrigação, tudo é, o todo passa a ser todo com todo sentido. 
Taynã Lizárraga Carvalho

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Ahh...o encontro, a troca...

Algo sobre o encontro e a troca. Ontem ouvi algo que me fez pensar...tudo o que sai da gente é um presente. Toda e qualquer ação que demonstre algo que é nosso, que chega até o outro, seja o outro que for, é um presente. As nossas relações podem então, ser compreendidas assim, a troca é sempre um presente. A gente esbarra com muitas pessoas nessa vida e todas elas deixam uma marquinha por onde passam...assim, vamos somando encontros e trocas que vão se tornando parte da gente. Aquele papo de que tudo é um todo, tudo afeta tudo e tudo muda o tempo todo... Um encontro, de fato, só existe quando há troca e para que haja troca, é necessário que ambos envolvidos estejam dispostos a entregar algo de si, uma entrega mútua, sutil... um vai-e-vem de verdade, sinceridade, vai-e-vem real que nutri ali e volta pra nutrir aqui. As pessoas merecem o seu presente, mostrar o que vc é, é uma contribuição para o vir a ser do outro e por aí vai... Nessa, todo mundo sai ganhando. Então, desejo que os seus, os nossos encontros sejam verdadeiros, que não tenhamos medo de entregar o melhor de nós, que nenhuma consequência seja capaz de anular um encontro, que sejamos sempre capazes de viver com intensidade independente do segundo seguinte. 
Taynã Lizárraga Carvalho

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Vôo livre


Voava por voar, pássara incessante...morava na imensidão de possibilidades, céu. Passeava de lado a lado, pousava pouco...onde lhe convinha e só onde lhe convinha. Bicava de peixe a ar, de nuvem a pedra...voava só. Via muito, não enxergava nada...passava os olhos enquanto voava...sua parada era tática, prática. Mal sentia o tempo passar, o vento lhe acariciava, bastava a si só...se enganava. Começou a sentir falta de companhia pra voar, o vento que acariciava já não saciava mais...de repente começou a voar devagar, assistia o tempo passar...sentia o vento pesado, seus olhos miravam e fixavam em um único lugar...horizonte, longe... Se sentiu cansada, as asas mal abriam mais...parou...olhou, respirou fundo...entregue ao silêncio de si...em si, no momento em que se permitiu parar...mudou o seu olhar, pra si, pro céu...sentiu o vento diferente...parou para sentir lhe tocar...fechou os olhos e parou de ver...para enxergar...mirava perto, onde podia alcançar... estava ali...ou lá, perto...podia tocar. Sentia ir o vento e voltar...devagar... tocava diferente...refletiu...o que estava diferente era mesmo o seu olhar, seu peito aberto, pronto pra trocar...ar...pra ir, deixar estar e levar...e ser consigo...e contigo, quem quiser que seja tigo...mas com, sempre com...mesmo que em vôo solo...em vôo paradoxo...Vôo livre...
Taynã Lizárraga Carvalho 

sexta-feira, 12 de julho de 2013

No caminho que sente...

E você não sabe de nada. Deixa qualquer coisa acontecer...vai, nem olha. Pára. Observa... Dá uns passos, entrega...recebe. Quando vê, ainda está lá, não tem nada diferente fora dali...Olha pra dentro, nota um sussurro...leve, devagar... Respira bem fundo! Sente... alimenta, não sabe, alimenta mesmo assim. Deixa estar...sentir, fluir. Dá outro passo, sem direção, no caminho que sente, palpita... que sussurra...reticente, infinito...passos largos, frente ao acaso, num encontro, raro. Não sabe dizer, não consegue dizer....sente e só...anda e só...e junto, mas só. Embola...enrosca...e fica...e muda, tudo muda...no mesmo lugar, assim... 
Taynã Lizárraga Carvalho

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Que os segundos sejam eternos...

Muitas vezes, num breve encontro acontece um estalo...e a partir daí temos um fato, dois...o encontro e o estalo. Bobeira nossa, pensar que o que traz o valor do encontro é uma sucessão de estalos...ou de fatos...esquecemos que o tempo não disputa com a intensidade. O eterno pode durar apenas 1 segundo. 
Taynã Lizárraga Carvalho

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Quem se [pre]ocupa, "morre" antes do tempo!

Esse negócio de se [pre]ocupar já fez muito tempo perdido. Quis que fosse, quis saber, e depois... e depois... será? e agora? Tanto me ocupei precipitadamente que deixei muita coisa passar, ou, não deixei muita coisa estar...depende. No nada, na multidão, no entre, no vão...dei várias voltas...andei em círculos, parei...olhei...e não vi nada...achava que via tudo, que sabia tudo, que podia esperar...esperar o que mesmo? Às vezes tinha que me perguntar... E eu nunca tinha resposta. Enfim, entendi. Quem [pre] se ocupa, não vive, não vê, não conhece, não sente. Agora sigo...sem [pre]fixos, sem fixar...solta, ocupada só em estar, cheia de sabe-se-lá. 
Taynã Lizárraga Carvalho

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Eu escolhi viver assim...e você?

O maior de todos os meus problemas é lidar com algumas regras...nada demais! Regras bobas de funcionamento cotidiano...Tipo, ter que fazer assim ou assado porque as pessoas esperam que seja assim ou assado ou podem pensar isso ou aquilo. Essas idéias, pensamentos, padrões, prontos, me tiram o tesão de viver aqui. Eu quase posso garantir que o prazer de viver esquizofrênico, num castelo construído num mundo que é só meu, é muito maior do que o de compartilhar a minha existência com esses que se prendem nisso ou aquilo ditos e feitos por segundos, terceiros, quartos...xis. Ter que reprimir a espontaneidade de um ato, porque a consequência que se tem daquilo é premeditada e "você vai acabar perdendo com aquilo", me faz desistir daquilo mesmo antes de vive-lo. Não tem graça não poder ser o que quer que seja, quando quer que seja...não tem graça sentir o que se sente se o sentir tem que ficar oculto...cego, surdo e mudo. Eu não funciono assim. Eu transpiro espontaneidade...eu falo verdades inteiras,faço malcriações feias, minhas caretas não escondem o sentimento que emerge a cada situação vivida, quem me conhece sabe. Eu falo o que eu penso, o que eu sinto, rio e choro quando tenho vontade...Não costumo me preocupar com as consequências do meu expressar, porque lidar com elas, também exige espontaneidade, criatividade... e pra mim, isso é o que o ser humano é, por si só, de natureza, criativo e espontâneo. Porque deixar que as regras de outrem...sei lá quem, ocultem o melhor de mim? Se vc tem os seus pensamentos prontos, que quem faz isso é aquilo, quem fala isso é assim, quem veste isso faz isso, bla bla bla, eu só posso dizer que sinto muito...Os seus julgamentos só te privam de você mesmo, não disso ou daquilo...mas, de você. Não vou perder meu tempo não sendo, se já sou...fingir que não sinto ou guardar o que sinto pra depois...porque, sei lá...vou jogar tudo no ar quando sentir que devo, vou criar formas de ser e estar nesse mundo a cada segundo vivido! O que eu sou pra você não é mais importante do que eu sou pra mim. Eu escolhi viver assim... E você? Beijos.
Taynã Lizárraga Carvalho

Diálogo é o que nos falta

Falta diálogo. É o que nos falta hoje. Os contatos são estreitos, a presença no contato é superficial, tentamos primeiramente, que nos enxerguem da forma que gostaríamos, não da forma genuína. Assim, alimentamos a falsa percepção que as pessoas constroem de nós mesmos. A presença no contato, sem reservas, sem aparência, faz com que estejamos inteiros, plenos no encontro. A comunicação, a auto-expressão plena e mútua, vem de um contato verdadeiramente estabelecido, quando dois sujeitos se dispõem a um encontro onde não há potência e impotência, onde a expressão se dá pela necessidade de expor, mesmo que através do silêncio, a resposta entre os sujeitos, não seja baseada na proteção de si ou do outro, o diálogo ocorre quando cada um se responsabiliza por aquilo que se expressa, respeitando a necessidade legítima de expressão. O fato de que para que o diálogo ocorra, é preciso que a presença seja sem reservas, não diz que devemos dizer tudo o que vem à cabeça, o diálogo tem como função a troca, o compartilhamento daquilo que julgo útil para alimentar o "eu" e o outro, por isso reforço, é necessário que cada um assuma a responsabilidade do que leva para esse encontro. No diálogo, colocamos para a fora a nossa criatividade, o encontro e a comunicação dada nesse momento de dialogar, é arte, é criar formas de estar presente com aquele outro, de ser verdadeiro no encontro, levando de mim e deixando que chegue até mim, conteúdos que são úteis para ambos os processos constantes de transformação, do eu e do outro. Precisamos de mais presença, de plenitude nos encontros, de olhos nos olhos, de críticas construtivas, de expansão de horizontes que nos levem além de onde acreditamos ser o final, de maleabilidade das barreiras para que os contatos aconteçam a todo tempo, para que tudo continue fluindo no ciclo.
Taynã Lizárraga Carvalho

terça-feira, 2 de julho de 2013

Nem tudo o que parece, é.

As pessoas têm a necessidade de julgar. Tudo precisa ter um significado. As coisas, as pessoas, não são elas em si, são o que querem que seja. Ainda assim, mesmo com todo esse"poder"de dizer o que as coisas e as pessoas são, ainda colocam a responsabilidade do que vêem, nos outros. Hã? É difícil de entender. Você olha, interpreta e ainda culpa o outro pela sua interpretação? Tem alguma coisa errada aí, não tem? Nem tudo o que parece é, precisamos ir além das coisas em si, chegar no em si das coisas, para validar uma interpretação. Não é tarefa fácil, por isso, ouvimos tanto o "não julgar"... Se você se dá por satisfeito pela imagem que constrói, sinta-se também responsável pela sua construção, abrace o que é seu e solte o que está de fora, afinal, é o em si das coisas que tornam a coisa em si, não você. 
Taynã Lizárraga Carvalho

Tanto faz

Eu até tentei entender... mas, me olhei no espelho e o que eu vi, ultrapassa qualquer entendimento. Não é porque é assim ou assado, frito, surrado, tapado...tanto faz...é porque é, ou não é, porque não é. Vai ser...um dia, quizás. O cadeado tá aberto...colado no peito. Olho reto, distante, vejo e não vejo...Escuto. Perturba...lento, lento, quase machuca. Mas, lembro, não é e não vai ser o que quer que seja, só o que for. Confuso, né? Não ligo. Ao menos, tento. Eu não quero entender. 
Taynã Lizárraga Carvalho 

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Do bloom ao blupt

Quis inventar um novo beat para o coração. Desacelerar, usar as suas asas, controlar seu vôo. Quis que fosse solto...não dá. Seu beat sincero é acelerado, se faz sentir, vivo, num boom que exoplode, que me arremessa...me põe testa a testa e me testa a cada compasso. Me disponho a vários atos, entrelaços, desfaço laços e volto para o mesmo lugar...o beat é o mesmo, o compasso...às vezes, o distraio, me divirto, agito interno, me interno, mas, sempre, sempre, me entrego. Tenho calma, tenho pressa... 
Taynã Lizárraga Carvalho

quinta-feira, 27 de junho de 2013

O esquema é a autonutrição

A gente faz o que pode, dá a mão, acredita...mas, o vício em acreditar que devemos ser sempre isso ou aquilo, é ainda tão forte, que as pessoas metem os pés pelas mãos. Preferem não ser nada, a correr o risco de ser qualquer coisa que elas não gostariam, ou pensam que poderiam não gostar. A preocupação está enraizada na aparência, ignoram a essência e vivem o que não é, que não vai ser... Vivem superficialmente. Passam tanto tempo perdidas nesses caminhos estreitos de poderias, deverias e afins, que não se encontram mais. A essência passa a ser nada. Quantas pessoas "nada" estão por ai... Perdidas, sozinhas, num nada tão grande, que dá dó. Cada vez mais, fica clara a necessidade de nos alimentarmos dos nossos próprios feitos, do desprendimento que fazemos de nós em prol do outro, mesmo que o outro não faça nada com isso...
Taynã Lizárraga Carvalho

quinta-feira, 20 de junho de 2013

"Não sei se vou ou se fico, não sei se fico ou se vou. Se vou, já sei que não fico. Se fico, já sei que não vou." - Ser e existir, a simples tarefa de quem já está aqui.

"Mas ser-no-mundo não quer dizer que o homem se acha no meio da natureza, ao lado de árvores, animais e outros homens...É uma estrutura de realização...O homem está sempre superando os limites entre o dentro e o fora." Heidegger

Ser no mundo é estar com e para o mundo a todo momento, a partir do momento que existimos, estamos inerentes à essa relação. O que confirma a nossa existência, são as mais diversas formas com que nos relacionamos com as pessoas e com as coisas. Tudo está ligado a tudo. No momento em que penso isso ou sinto aquilo, estou me referindo a algo ou alguém, eu só existo porque o outro existe. "As coisas não podem ser sem o homem e o homem não pode ser sem as coisas que encontra."
"Mesmo o estar só, é ser-com no mundo. Somente num ser-com e para um ser-com é que o outro pode faltar. O estar só é um modo deficiente de ser-com."- Heidegger. O mundo é sempre um mundo compartilhado com os outros.
O que tudo isso quer dizer, é que nós temos a capacidade de nos compreendermos mútua e imediatamente, por sermos essencialmente semelhantes, embora na forma concreta do nosso existir, cada um apresenta-se com suas peculiaridades em seu perceber, compreender e comportar-se. Assim, no encontro de um ser com o seu semelhante, ocorre uma relação de reciprocidade, na qual ambos influenciam-se mutuamente, isso é o que torna o ser humano diferente dos animais e das coisas, esse funcionamento, deixa claro que o ser humano tem consciência de si e do mundo. Se não fosse pela oportunidade de nos relacionarmos com outros seres humanos, não conheceríamos as nossas potencialidades como o amor, a responsabilidade e a liberdade, é só porque podemos coloca-las em prática, que também somos capazes de desenvolve-las.
As nossas relações de contato, de comunicação com as pessoas, começam através do nosso próprio corpo, inicialmente, percebemo-nos e comunicamo-nos mutuamente por meio de contatos e expressões corporais, gestos e atitudes, depois introduzimos a linguagem, afinal, essa é própria do contato com os seres humanos. Porém, seja a linguagem que for, só existe porque nós somos seres com e para, existimos em relação a algo e a alguém.
Aí vocês devem estar se perguntando... "e o mundo próprio? não existe um mundo próprio?". O mundo próprio consiste na relação que o sujeito estabelece consigo mesmo, nos termos utilizados aqui, seria o seu ser-em-si-mesmo, na consciência de si e no autoconhecimento. Porém, ainda que exista a sua relação no ser-em-si-mesmo, o ser humano é um ser-no-mundo, ou seja, sempre é uma pessoa com características próprias, em relação a algo ou a alguém. São as vivências e experiências que cada pessoa tem ao longo da vida, relacionando-se com o mundo e com os outros, que vão tornando-lhe capaz de atualizar e desenvolver suas potencialidades, dando-lhe condições necessárias para ir descobrindo e reconhecendo quem é. Ao passo que a pessoa vai desenvolvendo suas noções de autoconhecimento, vai da mesma forma, ampliando suas noções sobre o mundo que a cerca e as suas formas de ser e estar nele. E esse funcionamento acontece em um fluxo contínuo, estamos constantemente existindo, sempre em direção daquilo que pretendemos ser. As nossas características, qualidades...não se limitam aquilo que já fizemos, embora nosso passado forneça elementos importantes para nos conhecer, não fixa a forma de ser, pois estamos sempre prontos para nos modificar, compensando erros ou aperfeiçoando virtudes.
Isso me faz pensar no termo autotranscendência, que é a capacidade que o ser humano tem de transcender a situação imediata, de ultrapassar o momento concretamente presente, o aqui-e-agora, o espaço e o tempo. Com isso, podemos trazer o passado e o futuro para o instante atual de nossa existência e nos reconhecermos como sujeitos responsáveis por nossas escolhas e decisões. Diria que essa capacidade é base da nossa liberdade, pois, permite com que voltemo-nos para o nosso passado e ao mesmo tempo, lancemo-nos ao nosso futuro para refletirmos e avaliarmos nossos próprios recursos e as possibilidades que temos para enfrentar não só a situação imediata, mas, para ir através da imaginação, muito além dela. A existência nos proporciona uma enorme variedade de possibilidades para escolhermos como vamos nos relacionar com o mundo. O tal mundo próprio, então, teria como função, o pensar. O pensar engloba todas as funções como a linguagem, o entendimento, o raciocínio, a memória, a imaginação, a intuição, a reflexão...Platão já dizia, "pensar é conversar com um tema, penetrando-o, é o diálogo da alma consigo mesma...Pensar é uma fala que a alma realiza sobre o que quer investigar...O pensamento se dispõe, por sua própria essência, a poder dialogar com os outros...o monólogo já é uma forma de diálogo."
Bom, toda essa reflexão, é para trazer a importância de nos olharmos como seres humanos que somos, sem diferenças, afinal, se todos existimos, a forma de ser e estar no mundo, particular, de cada um, é o que nos torna capazes de nos relacionar, de buscar a transcendência do ser-no-mundo, de entrelaçar existências, tornando-as em sermos-com-e-para-o-mundo, numa forma sintonizada, que mais do que sermos e ponto, sermos seres-com-e-para-o-mundo-e-além-do-mundo, assim, é que podemos finalmente chegar ao amor, a forma fundida, dual, de ser e estar no mundo. Binswanger disse que o amar, é um modo peculiar de existir, no qual o ser humano vivencia a plenitude de suas possibilidades, encontrando-se profundamente enraizado no solo de sua existência, em paz consigo e com o mundo, destituído de desejos e intenções. Para ele, no amor e somente no amor, a pessoa é capaz de experienciar como uma totalidade, a finitude e o infinito, o fato e a essência...No amor, se realiza o verdadeiro "nós", no qual cada parceiro é criador e simultaneamente ativo e passivo, masculino e feminino...Esta inconcebível e inexplicável qualidade do amor é um mistério que se realiza no duplo milagre de amar e ser amado.
Dizem por aí que é preciso ter coragem para ser, porém, já somos...o que podemos fazer? O ter que escolher e ter que assumir as escolhas, traz um sentimento de apreensão, de uma falsa liberdade, mas, é só lembrarmos que da mesma forma que são infinitas as possibilidades, está em nossas mãos a capacidade de transformar, não temos o que temer. Precisamos ir e ficar a todo momento, para não cessarmos nunca o movimento de atualização das nossas capacidades. E mais do que isso, para nunca cessarmos a busca por um ser-no-mundo-e-para-o-mundo-e-além-do-mundo, num encontro de dois seres completos,  que transcendem e mesmo que por instantes, são capazes de viver o amor.
Taynã Lizárraga Carvalho