segunda-feira, 15 de julho de 2013

Vôo livre


Voava por voar, pássara incessante...morava na imensidão de possibilidades, céu. Passeava de lado a lado, pousava pouco...onde lhe convinha e só onde lhe convinha. Bicava de peixe a ar, de nuvem a pedra...voava só. Via muito, não enxergava nada...passava os olhos enquanto voava...sua parada era tática, prática. Mal sentia o tempo passar, o vento lhe acariciava, bastava a si só...se enganava. Começou a sentir falta de companhia pra voar, o vento que acariciava já não saciava mais...de repente começou a voar devagar, assistia o tempo passar...sentia o vento pesado, seus olhos miravam e fixavam em um único lugar...horizonte, longe... Se sentiu cansada, as asas mal abriam mais...parou...olhou, respirou fundo...entregue ao silêncio de si...em si, no momento em que se permitiu parar...mudou o seu olhar, pra si, pro céu...sentiu o vento diferente...parou para sentir lhe tocar...fechou os olhos e parou de ver...para enxergar...mirava perto, onde podia alcançar... estava ali...ou lá, perto...podia tocar. Sentia ir o vento e voltar...devagar... tocava diferente...refletiu...o que estava diferente era mesmo o seu olhar, seu peito aberto, pronto pra trocar...ar...pra ir, deixar estar e levar...e ser consigo...e contigo, quem quiser que seja tigo...mas com, sempre com...mesmo que em vôo solo...em vôo paradoxo...Vôo livre...
Taynã Lizárraga Carvalho 

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