Em um mundo de imposições, a autenticidade virou artigo de luxo. Existe padrão para tudo e assim seguimos, condicionados. A grande questão está na desapropriação que se dá a cada passo em busca do imediato. Em tempos de interesses rasos, prazeres instantâneos, vive-se pelas beiradas. É mais fácil seguir a estrada já traçada, desviar de obstáculos conhecidos a criar o próprio rumo. É tempo de evitação, esquiva-se do que exige movimento, acomoda-se à inércia, enterra-se no dado padrão. Espelha-se na experiência do outro, adapta-se à gostos e desgostos, mina sua própria criação. Nesse tempo, o valor se perdeu, não reconhece seu próprio eu, sente vazio e se preenche com aquilo que pré-ocupa, se engana na falsa sensação, que espaço cheio é contrário de solidão. Vive só e não sabe, porque não se conhece, não se reconhece, não é de si, não é para si. Pobre sujeito alienado, põe a graça de si, nas mãos de outro desapropriado, esquece do fato, que nessa vida a gente nasce só e só a gente se despede, o entre, que é o estar vivo, a cada um pertence, se não faz por si, será sujeito carente.
Taynã Lizárraga Carvalho
Bom dia!!!