quinta-feira, 31 de julho de 2014

Sê de si, sê pleno em si


Em um mundo de imposições, a autenticidade virou artigo de luxo. Existe padrão para tudo e assim seguimos, condicionados. A grande questão está na desapropriação que se dá a cada passo em busca do imediato. Em tempos de interesses rasos, prazeres instantâneos, vive-se pelas beiradas. É mais fácil seguir a estrada já traçada, desviar de obstáculos conhecidos a criar o próprio rumo. É tempo de evitação, esquiva-se do que exige movimento, acomoda-se à inércia, enterra-se no dado padrão. Espelha-se na experiência do outro, adapta-se à gostos e desgostos, mina sua própria criação. Nesse tempo, o valor se perdeu, não reconhece seu próprio eu, sente vazio e se preenche com aquilo que pré-ocupa, se engana na falsa sensação, que espaço cheio é contrário de solidão. Vive só e não sabe, porque não se conhece, não se reconhece, não é de si, não é para si. Pobre sujeito alienado, põe a graça de si, nas mãos de outro desapropriado, esquece do fato, que nessa vida a gente nasce só e só a gente se despede, o entre, que é o estar vivo, a cada um pertence, se não faz por si, será sujeito carente. 
Taynã Lizárraga Carvalho
Bom dia!!!

terça-feira, 29 de julho de 2014

Valor que é abrigo da gente


O valor de qualquer coisa está na forma com que a gente enxerga. A gente é quem cria os adjetivos da vida e de tudo que nos cerca. A gente transforma qualquer fala em figura, sentimento em novela, dúvida em tragédia e por aí vai. A cabeça não quieta, a necessidade de dar forma, nome, valor para as coisas, nos consome minando a naturalidade dos fatos. Nada é e simplesmente é...ou quase nada. A gente cria necessidades ao invés de aceitar as que surgem por si só, as que legitimamente se manifestam, porque a gente sempre quer aquilo que não tem. A gente tem pressa, desespera, cega, só enxerga de olhos fechados a realidade que ninguém vê, realidade sua, construída crua, num pedaço de papel. A gente muitas vezes, vive num quadrado de papel. A gente não se estende muito nem nas palavras, nem nos relacionamentos... A gente chora calado, grita calado e fala gritando, ninguém escuta. A vida pede que a gente se mostre, que a gente sinta e perceba e se manifeste, que a gente aceite a nossa verdade e construa a nossa felicidade, passo a passo, às vezes de pés descalços, em solo quente. A vida só pede que a gente seja a gente e aí ela se faz. Aprendi a abrir os olhos e mirar em frente, acreditar que nada é menos importante e que tudo é incoerente, aprendi a buscar o que me falta no seio, nas verdades que leio, não com os olhos, mas, com o coração. 

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Sobre certas saudades

E a saudade que a gente sente, é o coração dizendo pra gente que quando a gente tá presente, o que a gente sente, a gente leva com a gente. Passa tempo, passa gente e tem gente que fica, vira lembrança, vira saudade...é gente que desperta vontade, de ser com, de ser riso, gente que vem e transcende o conhecido. Dessa gente eu levo todo o brilho que ilumina e incita a gente ao desconhecido. <3
Taynã Lizárraga Carvalho

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Desses que são a própria solidão


De tanto que já doeu o coração, vivem de não em não, instantes fartos. Beijos rasos que afagam escondida solidão, corpos que se conectam, mas, não se encontram no grande vão. Olhares que vazios, deslizam perdidos pelos corpos que inibem a sensação. Colorem a superfície e engolem escuridão. Em dias de "pegação", pega-se tudo o que instantaneamente engana a razão. De fraco se faz farto e cresce o próprio vão. Ainda insatisfeito, alimenta a solidão. Tolo sujeito que se faz pioneiro da própria escuridão. 

segunda-feira, 21 de julho de 2014

E sigo e só

Se eu vivesse de deverias ou poderias, me queixaria incansavelmente de tudo o que nesse passo, não foi. Hoje, aqui, em meio caminho andado, poderia lamuriar os não feitos, assumindo alguma responsabilidade pela falta, mas, por todo caminho que me falta, me apego à oportunidade que cada novo segundo exala. Deixo que descansem as insatisfações para pontuar cada novo passo e seguir descansado, no ritmo dado pela necessidade de cada momento exato. Ando e não volto o passo. 
Taynã Lizárraga Carvalho

domingo, 20 de julho de 2014

Dos "pra quês" dessa vida

Tudo tem um pra quê e a vida se encarrega de mostrar no tempo em que as coisas são, a função de tudo o que acontece. É mais uma vez tempo de repensar as prioridades, reconhecer as necessidades, legitima-las e com os pés no chão, fazer por si o que ninguém fará. Encher a barriga não nutre, quantidade não representa qualidade e as respostas para a vida não estão em coisas, lugares ou outras pessoas. Cada um tem em si a resposta para o que lhe falta e a capacidade de se movimentar em direção às próprias satisfações. É hora de reposicionar, dizer adeus ao que não cabe mais e acolher o novo que se mostra. Ignora a cor, forma ou sabor, para descobrir o valor de tudo o que é, aqui-e-agora. 
Taynã Lizárraga Carvalho

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Do riso

E que a gente aprenda a sorrir devagar, devagar o sorriso dura mais tempo. E que o tempo não dite o ritmo, que sejamos reticentes e presentes nas linhas do riso. 
Taynã Lizárraga Carvalho

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Sê de si

Que cada um cuide de seus próprios nós, seus laços e manuseie suas pontas. O outro não é fuga para o amor ou descanso para a covardia. Sê coragem, faz com que o coração aja em prol de sua própria fantasia. Se é dor, constrói a cura. Sê de si, própria experiência que cria. Sê vida, nua e pura, sê de si, senhor, eterna moradia. 
Taynã Lizárraga Carvalho 

sexta-feira, 11 de julho de 2014

De outras razões

O outro sempre terá razões desconhecidas. Não há pra quê entende-las. Compreender a existência em si, com todas as suas complexidades, tendo clara a consciência de que o outro também é você, é que te torna capaz de ser [con]vivente.  
Taynã Lizárraga Carvalho

terça-feira, 8 de julho de 2014

Vida - caminho só de ida


A vida é um passo sem volta. Cada segundo é recomeço do enredo ao qual você veio ilustrar. Não há pressa que leve ou calma que esquece, a vida é feita de pontos que seguem, é preciso pontuar. 
Taynã Lizárraga Carvalho

segunda-feira, 7 de julho de 2014

De beats em beats no tic tac do coração

Abençoa e voa. O que é pra ser, vigora, sem hora, sem pressa. Deixa que o vento que é caos, é tal, mesmo, que conserta. Vento que traz é vento que leva. Se apropria de si, que tempo e espaço se abraçam, num mesmo compasso. Dê os passos, todos, esquece a direção, rema adiante, no ritmo do coração. De beats em beats traça a vida, que é embalo constante, a todo instante, do que foi, é e em diante. 
Taynã Lizárraga Carvalho

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Autonutrição

Me atrevo a dizer, que o mal está no tempo que a gente demora a entender, que o amor que a gente sente, é o amor que alimenta a gente. Amor que sai de si, é amor que volta em si. De todas as voltas, esse, é o único que retorna. 
Taynã Lizárraga Carvalho

terça-feira, 1 de julho de 2014

Do que já foi

É porque eu conheço o afago, que de quando em quando, me embaraço com os retratos, tratados entrelaços que lá foram nó e quente e calmo, tanto abraço, pés descalços, horizontes, crus, que em dividida superfície descansavam, sonhos, pontos e alimentavam um conto, esse, que num futuro longo, tonto, acalmaria o pranto, de frio e só, pé sem nó, puro sono, longe e hoje, estreito sonho. 

Taynã Lizárraga Carvalho