domingo, 30 de março de 2014

O que a cabeça acha, o coração não perde.

É breve o desconforto de quando oscila o coração. O tempo não engana. O espaço é curto, tomado num piscar, por aquilo que faz palpitar. Quando é o coração que enxerga, o abrigo é o peito. E tudo aquilo que a cabeça achou, o coração nunca perdeu. 
Taynã Lizárraga Carvalho

segunda-feira, 24 de março de 2014

Somos todos, um.


E é por aí. Não cabe a nenhum ser humano, julgar ou punir o comportamento de um outro. Afinal, somos todos seres humanos e existencialmente vulneráveis da mesma maneira. O ser humano, é ser um constante processo de construção e como todo processo, formado por ensaios e erros a toda tentativa. E contudo, somos todos um todo, no qual cada inteiro no espaço que ocupa, representa o todo que somos, assim, se cuidamos de parte desse todo, estamos cuidando do todo e se negligenciamos uma parte, estamos da mesma forma, negligenciando o todo. É um universo onde tudo afeta tudo e tudo muda o tempo todo. Portanto, não há nada mais humano que o reconhecimento da existência do outro, como fundamental para a sua própria existência. Afirmando isso ao outro, mostrando a importância de cada um se assumir nas dificuldades e buscar a transformação, estamos exercendo da forma mais saudável o ser com e para o mundo, que é nosso. Lembrando, que nós só existimos porque o outro existe, então, sendo o outro saudável, feliz, na sua existência, refletirá da mesma forma na existência do todo.
Onde foi parar o nosso amor primitivo? Tanto materialismo, desenvolvimento tecnológico, transformação estética..., nos tirou a capacidade de ser, simplesmente, na nossa existência e de nos reconhecermos todos um. Perdemos com o tempo, o valor da essência, do encontro e com isso, dispersamos as reais necessidades e as buscas passaram a ser egocêntricas e superficiais.

A diferença está aí, num mundo no qual o maior valor é a alma, a relação, o corpo como meio de encontro e transformação, é assim que se trata o ser humano, como ser humano.
 Bom para refletir onde e como está caminhando o seu eu...
SAWABONA!!!

Há uma "tribo" africana que tem um costume muito bonito.
Quando alguém faz algo prejudicial e errado, eles levam a pessoa para o centro da aldeia, e toda a tribo vem e o rodeia. Durante dois dias, eles vão dizer ao homem todas as coisas boas que ele já fez.
A tribo acredita que cada ser humano vem ao mundo como um ser bom. Cada um de nós desejando segurança, amor, paz, felicidade. Mas às vezes, na busca dessas coisas, as pessoas cometem erros.
A comunidade enxerga aqueles erros como um grito de socorro.
Eles se unem então para erguê-lo, para reconectá-lo com sua verdadeira natureza, para lembrá-lo quem ele realmente é, até que ele se lembre totalmente da verdade da qual ele tinha se desconectado temporariamente: "Eu sou bom".
Sawabona Shikoba!
SAWABONA, é um cumprimento usado na África do Sul e quer dizer:
"Eu te respeito, eu te valorizo. Você é importante pra mim"
Em resposta as pessoas dizem SHIKOBA,que é:
"Então, eu existo pra você"

por Mera Resiliência

Dos estalos

A gente para de querer, de esperar, entregue ao fluxo que já está, se acomoda na onda e deixa seguir. O universo cuida do tempo e o tempo respeita o que é necessário. Você entende que é parte e é todo e inspira o todo maior, compreende para não se limitar a entender, vai no ritmo e percebe que viver ultrapassa qualquer entendimento. E mais uma vez, se dá conta, que de repente, quando chega a hora, basta um estalo e tudo se trasnforma.
Taynã Lizárraga Carvalho

quinta-feira, 20 de março de 2014

Desses amores...

Quem foi que traduziu do amor, o medo? Se deixou ser pego na armadilha que dita, que só sobrevive quem sozinho desdá o nó; nó que aperta nu e cru e envolve todo. Quem disse que não há graça em gastar a lábia, ultrapassar a faixa e dar de cara com um imenso vão? Que mal há em deixar escapar uma paixão? Esvaziar os dedos, livrar as mãos... Andaram dizendo que não vale a pena ceder o peito, alugar o coração, que temporada não vale nada. Mas, isso é pra quem não saber curtir o verão, aquecer o coração, preparar o terreno pra florir intenso e esperar o gelo, do inverno seco. Isso é pra quem não sabe que tudo que vai, volta... e a forma, pouco importa. Pra você que não acredita, que prefere proteger e seguir a risca... Amor é sopro, é ar que leva, releva, que voa livre, que não sacia o apetite, pra viver leve. Amor é forte, mas desmorona, só pra provar pra gente, que a gente dá conta de fazer e desfazer por própria conta. Amor é combustível que alimenta a alma e sacode a calma, a cada suspiro perdido, cantinho do peito invadido. Amor ensina a desmedir, a assumir, a acolher, a deixar estar, amor não tem lugar.
Taynã Lizárraga Carvalho

quarta-feira, 19 de março de 2014

Esse tipo de gente

Gente que desperta na gente, vontade de ser mais a gente. Que brilha os olhos da gente, em ser, simplesmente. Gente que habita a gente de graça, que constrói morada, que estampa coloridas marcas, que de um estalo, vira compasso e música...que balança a calma, alimenta a alma. Que vem de repente, remexe a gente, se faz presente até quando o corpo está ausente. Que costura sorrisos, faz bater o peito reticente e contínuo. Gente que é antes de ser e quando está, só faz brilhar...Que constrói a gente junto com a gente, que é gente como a gente, só que diferente. Desperta na gente a vontade de ser gente com gente... 
Taynã Lizárraga Carvalho

terça-feira, 18 de março de 2014

Você tem medo de que? Você tem medo pra que?

Você tem medo de que? De criar verdades mesmo sabendo que verdades são impermanentes? De saber que tudo pode ser e no que se refere a um outro, tudo é e você não pode mudar nada? De acelerar o coração, perder o controle, esfriar a barriga, viver uma eternidade em um segundo e ali na frente, ter que controlar algumas lágrimas, esvaziar o coração e se dispor a viver tudo isso de novo...e de novo... Você tem medo de que? De acreditar que você é um e só um e que é o maior caô que há uma metade sua perdida por aí? Você tem medo de ser inteiro a todo momento mesmo que se fragmente em alguns casos e acasos e que tenha que colher cacos e se reconstruir? O que te faz temer a vida? Sentir a alma invadida, o coração partido...esfriar lágrimas...pisar em falso, criar calos...o que te faz temer o sentir? ... A gente teme é a felicidade, porque a gente sabe que ela dura o tempo do tempo, o tempo que não é seu, não é meu... a gente teme o desconhecido, o que tá escondido... a gente perde vida, se limita, não arrisca e segue a risca... e segue reto e vive embaixo de um teto, não vê o céu, não sente o mar, porque a gente teme se deixar levar, porque a gente teme ser o que é. Você tem medo pra que?
Taynã Lizárraga Carvalho

Sobre o amor

Não era porque não seria. Não foi porque não era antes de ser. Quando for, já terá sido e você não saberá. Porque é assim... Amor, é amor, antes se ser.
Taynã Lizárraga Carvalho

quinta-feira, 13 de março de 2014

A hora será

O tempo passa e com ele, não leva nada. Tudo passa. É verdade. Mas, o que "faz passar", é a experiência. Não tem a ver com a pessoa, com o lugar, com a música, com a cor, o cheiro ou sabor... a novidade, que se encaixa naquele exato lugar, é que faz passar aquilo que já foi. Importante para que "já seja", é que tenha sido...se algo ficou, ficou. Sinto em dizer... Passa o tempo que for, aquilo ainda será e você passará de tempos em tempos, revivendo a mesma questão... what the fuck?... Nada é! Não há espaço... é preciso que os ciclos estejam fechados...Brota-se do vazio... Esvazia! Peito aperta, olhos nadam, coração apressa... e você não sabia... Se enche de tantos poderias...de tanto nada é... e poderia...que não se vê, não lê, não sente ser ou deixar de ser. Faz tanto tempo e não faz sentido...Entende! Não é o tempo... é consigo. Aceita estar... longe. concreto. passado. .... Reinicia, do vazio...quando for, não apressa, a hora não é essa, a hora será.
Taynã Lizárraga Carvalho

terça-feira, 11 de março de 2014

Falta que é o que...?

Há de se enganar quem se martiriza pela falta. A falta de resposta, de sintonia, de cumplicidade, falta que faz por aquilo que se doou. Não falta a quem se entrega, a quem se erra e deixa errar, a quem se faz ser o melhor que há. Há na verdade a incompreensão da falta, não se entende falta pela a ausência que se apresenta em si, mas, sim pela não reciprocidade. Falta aquilo que não vem de volta, não o que simplesmente não há. A ausência não representa vazio, a ausência muitas vezes se dá pela não necessidade de ter. O que falta é reconhecer e compreender cada totalidade em si. 
Taynã Lizárraga Carvalho

segunda-feira, 10 de março de 2014

Dos recomeços...

Cada segundo, uma surpresa. Não reconheço o propósito de cada novo que se apresenta, mas, me presenteio de cada um. Aí, é moradia do fim, vizinho dos recomeços. Ser e não ser têm o mesmo efeito, um não anda sem o outro. As coisas são, porque outras deixam de ser e por ai vai. Se não fosse por cada um dos encontros, dos contatos, não existiríamos. É onde se apresentam as possibilidades de transformação. No encontro, é onde a experiência se cria e então, as necessidades vão tomando forma, os comportamentos são gerados e tudo se afeta mutuamente, desenvolvendo uma cadeia de contatos que é o que nos mantém seres existentes do mundo e com o mundo. 
Taynã Lizárraga Carvalho

sexta-feira, 7 de março de 2014

Sobre a inveja

Inveja-se a capacidade de amar sem restrições, de expressar-se livremente, de ser justo com o que sente independente da resposta que se tenha...inveja-se o sorriso sincero, o olhar penetrante, a energia que transmite num curto abraço, as várias habilidades adquiridas na vida, pelo simples fato de não temer. Mais que um corpo ou um rosto bonito, inveja-se a singularidade gritante, a espontaneidade nata e a verdade que transmite em tudo o que faz. Mas, contudo, é importante que invejem, assim que aprendi o quão necessário é construir e movimentar minhas barreiras de acesso, aqui, toca ou não toca.
Taynã Lizárraga Carvalho