quarta-feira, 29 de maio de 2013

Você sabe quais são os seus medos? Você os reconhece?


Você sabe quais são os seus medos? Você os reconhece? O medo é uma reação em favor da sobrevivência que se mostra diante de uma percepção de ameaça à vida ou à integridade psíquica. Existem os medos naturais, que são específicos do desenvolvimento (altura, animais, escuro, trovoadas...), que surgem na infância quando a criança está tomando consciência do mundo e das coisas, que fogem do seu entedimento ou controle, mas que desaparecem com o tempo, quando os pais dão a devida atenção, proteção. Quando o medo é exagerado, excessivo e irracional, desencadeado pela presença de um objeto, lugar ou situação "aterrorizante", que leva a uma sensação de descontrole da mente e do corpo, podemos chama-lo de fobia. A psicologia enxerga a fobia como uma representação simbólica de conflitos psicológicos relacionais. A pessoa projeta no desconhecido, no objeto ou na situação, sua fragilidade emocional, sua angústia é direcionada a algo concreto, sendo assim, transformada em ansiedade, para que a pessoa possa enfrenta-la. Caso contrário, viverá em constante e iminente sensação de incapacidade de autodefesa, desproteção... Hoje em dia, grande parte das pessoas que procuram um psicólogo, trazem ansiedades ainda da infância, que são ou potencializadas com o tempo, ou transformadas em uma ou mais fobias diferentes e não são reconhecidas. A ansiedade se instala pela vivência repetitiva de experiências estressantes ou traumáticas, aprendizagem de crenças fóbicas ou perpcões negativas do mundo e do outro. A superproteção também é fator desencadeador, pois, inibe a capacidade defensiva da pessoa de enfrentar a realidade. Por isso, trago esse informativo, para chamar a atenção das pessoas para elas mesmas e no caso dos pais, que olhem para os seus filhos com cuidado para que não se tornem pessoas com um "eu" desamparado, frágil, dependente, que não confia em si mesmo. A presença em si mesmo é essencial para o desenvolvimento de autocapacidades indispensáveis para o lidar com a realidade. Devemos estar sempre presentes no aqui e agora, transformando nossos medos e angústias em movimento em prol da saúde e bem estar. Somos seres para o mundo, no mundo e com o mundo, desde o início da vida, com capacidade nata de buscar a independência, que se dá ao longo do processo de desenvolvimento emocional e da formação da personalidade. O seu "eu" é a sua companhia para toda a vida, é quem vai te acompanhar em todos os processos, passando por todos os caminhos, por isso, devemos estar de bem com ele, cuidando para que ele nunca se perca. 


Taynã Lizárraga Carvalho

terça-feira, 28 de maio de 2013

Fragilidade x Autocontrole

Fragilidade e autocontrole andam de mãos dadas. É preciso vivenciar e reconhecer a fragilidade para que haja a transformação. O autocontrole é resultado do autoconhecimento, da presença plena em si mesmo, do encontro com o eu real. Angústia é um sentimento essencial para o processo de mudança, desde que reconhecida, gera movimento. Um caminho é só um caminho e cada um tem as chaves do seu próprio e único labirinto.
Taynã Lizárraga Carvalho

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Ah...o sentir!

As pessoas vivem buscando o amor, mas, esquecem que o amor está nelas mesmas. A dificuldade está no pensar demais, querer demais, falar demais, idealizar demais...infinitas ações que as impedem de sentir. A vida passa a ser árdua, os dias, as relações, os afazeres, tudo vai perdendo sentido ao passo que ocultam o sentir. O sentir implica no contato mais profundo do sujeito consigo mesmo, na disposição de receber o novo, o desconhecido, por isso, as pessoas vivem tão presas à coisas e emoções. Ignora-se a lei já citada tantas vezes e pra mim, uma das mais importantes, a lei da impermanência, somos seres em eterno processo de construção, cada sentir, a respeito de cada situação vivida, de cada contato, nos transforma e assim seguimos, eternamente reticentes, nunca prontos.  Nós não aprendemos a nos frustrar, como também não aprendemos que somos nós, os responsáveis pelo sentimentos que construímos dentro de nós mesmos. Eu me atreveria a dizer que nascemos num mundo de muitas imposições, pouca compreensão, de introjeções sufocantes e projeções arremessadas de todos os lados, é um mundo de satisfações imediatas, sorrisos costurados, lágrimas de maquiagem, tudo não é nada, o todo é a soma das partes, as pessoas enxergam as outras pessoas, o universo, as coisas... partes isoladas e se esquecem que aqui, tudo afeta tudo, somos cada um, um todo existindo e se movimentando no todo que é esse que compartilhamos. Não é difícil enxergar essa conexão, podemos recorrer à um exemplo da física que diz que para toda ação há uma reação.  Precisamos exercitar o olhar para a singularidade, acolher o nosso eu como um todo e outro como um outro todo, assumir as responsabilidades daquilo que fazemos, pensamos, sentimos, falamos, diminuir o bombardeio de projeções que nos torna a cada dia mais neuróticos, culpados, instalados numa existência outra que não a nossa própria. Esse é um apelo para o sentir, você que sofre com a falta de reciprocidade nas suas relações, deve se lembrar todos os dias de que, deixar a própria emoção fluir é o que permite vir a emoção do outro. Portanto, cada um, no seu papel de constituinte do todo maior, tem a tarefa de cuidar de si e assim, estará cuidando de todo o resto. 
Taynã Lizárraga Carvalho

Vida longa aos segundos


Ouvi algumas vezes que sonhar não vale a pena. Que tinha que manter os pés fortes no chão pra enfrentar a vida. Passei um tempo sem pensar em sonhos... Deixei de criar expectativas, de enxergar além desse minuto. Até que um dia, eu vivi um sonho que eu nem sabia...no meio do meu labirinto, um encontro transformador, descristalizador de uma vida. Encontro de verdade que era sonho, mas que me permitiu flutuar e tocar o chão num mesmo compasso. As expectativas mudaram de nome, posso chamá-las de desejo! Desejo de viver o sonho sem sair do caminho, de lembrar sempre, que um caminho é só um caminho. Que a experiência do momento é que significa e que o amanhã, assim como o hoje, é possível... Que as minhas interrogações não se esgotem, pois são elas que me mantém fluindo...que possibilitam a onda do flutuar e tocar o chão. Desejo vida longa para os meus segundos...que eles durem o necessário para escrever páginas da minha vida.
Taynã Lizárraga Carvalho

sábado, 25 de maio de 2013

Ridículo é não ser você mesmo


Que você não tenha medo de ser ridículo. Ridículo é não ser você mesmo. Que as suas vontades te movimentem em prol das suas conquistas, mesmo que os resultados sejam incertos. Que a vida seja colorida mesmo quando não houver luz. Que você dê a cara e o coração quando sentir paixão. Que o amor te alimente de energia, de graça. Não importa o que acontece do outro lado, uma linha bamba de incertezas é que traz emoção para a vida. Siga, bambo, com coração palpitando.
Taynã Lizárraga Carvalho


quinta-feira, 23 de maio de 2013

O que vale a pena...?


De todas as coisas que fiz na vida, as que certamente ficarão marcadas, são aquelas que me transformaram de alguma forma. Nada é em vão. Bom, ruim, tudo tem a sua função. Tive o labirinto invadido, fui “até a lua”de mãos dadas, enxerguei um infinito, transformei um momento em reticeniências incontáveis…Passei pelo apuro do tempo, da distância, das distâncias, da incerteza…descontrolei os batimentos do peito…Não busquei nenhuma resposta e não criei hipotéses…Criei uma fantasia que vez ou outra se encontrava com a realidade e me colocava à prova. Prova de que independente de tempo, espaço, o que se faz pelo querer e só pelo querer, vale a pena. Mergulhei num mar transparente de tanta verdade…tanta verdade que ficou difícil de ver. Chão reticente…Estrada sem paredes…Guiada só pelo sentir. Tive medo, mas, nem por isso resisti. Deixar o sentir falar mais alto, leva além…além de qualquer expectativa quadrada, de qualquer experiência cristalizada. Feridas de uma aventura, se assim pudermos nomear uma paixão, também tem a sua função…nos colocam de frente com a nossa existência, o poder sentir mostra que estamos vivos e qualquer que seja a resposta conquistada pelo o que se sente, não tira o seu valor. “Já dizia o poeta…Porque a vida só se dá pra quem se deu, pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu. Ah, quem nunca curtiu uma paixão nunca vai ter nada, não. Não há mal pior do que a descrença. Mesmo o amor que não compensa é melhor que a solidão…Eu francamente já não quero nem saber de quem não vai porque tem medo de sofrer. Ai de quem não rasga o coração, esse não vai ter perdão…” Coração tá rasgado! Mas, a minha história, mais colorida. 
Taynã Lizárraga Carvalho

terça-feira, 21 de maio de 2013

Vida é o que é, no aqui e agora...

Não estamos aqui para entender nem para explicar. Viemos a esse mundo só e é só que partiremos. Caso a gente se encontre, vai ser lindo, caso não, também vai ser lindo. Porque essa vida é feita de encontros e desencontros, idas e vindas que são muito bem vindas. Muito tem para acontecer e pouco sabemos do que nos espera. Eu cuido aqui e se vc cuidar aí, tá tudo certo. Não vamos misturar. Vamos agregar. Nessa vida, não dá pra julgar. Cada um é o que é e fazendo menção à lei da impermanência, tudo muda o tempo todo, somos moivimento em movimento, a vida é agora. Nada na vida deve ser temido, somente compreendido, compreender mais para temer menos. Ser e estar com e para, no presente momento. Permitir o girar do ciclo... a dinamicidade da vida. O indivíduo deve ser inventado todos os dias. Saber que somos ser-para-a-morte, a única certeza que temos, é que nos faz ter mais apropriação de nós mesmos e assim, viver a vida. 
Taynã Lizárraga Carvalho


segunda-feira, 20 de maio de 2013

O que é ser normal? ...revendo o sentido da singularidade


Cada vez mais o ser humano tem sido privado da sua própria existência. Não é possível mais julgar o culpado dessa privação, porque há uma contradição - médicos, aqueles que são responsáveis por cuidar da nossa saúde, são também responsáveis por aumentar de forma impressionante, o número de doentes mentais em todo o mundo -. Como é possível confiar, se não temos como saber quem é o médico que está a nossa frente? Ele pode ser responsável e coerente no cuidado de dar um diagnóstico, ou interesseiro e irresponsável de ditar moda no meio médico. Disse interesseiro, porque a indústria farmacêutica é a mais lucrativa do mundo atual, pra cada transtorno novo, um novo medicamento é produzido e ditar moda, porque é assustadora a quantidade de pessoas diagnosticadas doentes mentais que aparecem a cada dia. As pessoas estão perdendo o sentido de ser e estar no mundo, único e singular, ao passo que crescem os números de transtornos mentais classificados no manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais, que é utilizado pela maior parte dos países - são hoje, mais de 300 doenças catalogadas no manual. Eu pergunto, quem é que consegue dizer o que é ser normal, se cada um de nós é 1 inteiro e não existe 2 seres humanos iguais...? Não existem critérios convincentes para esse aumento desesperador de transtornos. Aposto que qualquer pessoa que abrir esse manual, vai se encaixar em uma ou mais doenças. Aquilo que passamos a vida lidando como característica, simplesmente por nos comportarmos de acordo com a percepção que temos - reforçando, singular - sobre o mundo, as coisas, as relações, agora, virou doença. Esse abuso de "poder"dos envolvidos na construção desse manual, prejudica àqueles que precisam de fato dessa atenção, por terem prejuízos diagnosticados com precisão e seriedade, como à todos aqueles que são "normais". Ninguém tem o direito de colocar em alguns sintomas clínicos, a sua liberdade. O poder ser, não cabe em um rótulo. Lutemos pela valorização da diferença, é ela a responsável pela nossa construção infinita de ser humano, é o que nos aproxima e nos faz únicos.  

Matéria importantíssima não só para os envolvidos com a saúde, mas para todos, já que somos seres humanos. 
Leiam e compartilhem!!!

http://revistaepoca.globo.com/Sociedade/eliane-brum/noticia/2013/05/acordei-doente-mental.html

O drama da escolha e renuncia...

Porque coube e cabe ainda no momento...

Numa imensidão de possibilidades, escolher e renunciar é tarefa difícil. Optar por aquele caminho que está diante os olhos, no qual cores e sabores são familiares, estrada calma, sem vento, parece a opção mais segura! Mas, quem foi que disse, que a opção mais segura é a melhor opção? Quando é que se sabe qual é a melhor opção? Eu não sei... Decidi optar pelo caminho do coração, aquele que me faz sentir, que vibra meu corpo de energia e movimentação, aquele que me coloca diante de riscos e rabiscos abstratos, que me faz criar a forma, que a familiaridade é somente minha com o meu próprio sentir. Um caminho de ventos alterados, estrada incerta, labirintos infinitos, um caminho cheio de tom sobre tom, incontáveis variações de cor...Caminho inseguro que me obriga a construir segurança, segurança para seguir. Diferente dessa que ouvimos por aí, sem paredes e teto, um chão eterno, reticente...que me coloca diante um céu transparente, de tanta verdade que é difícil de ver. Que é difícil que vejam...Caminho com muitas portas e janelas, banquinhos, sombras...travessias, pedras, pássaros, borboletas...um caminho de vida, que só passa quem sabe viver, con[viver]. Onde a certeza se faz...a cada passo que fica pra trás, onde não se sabe dizer, enxerga-se.
Taynã Lizárraga Carvalho

Sinceridade

Quem quer, arruma um jeito, quem não quer, arruma uma desculpa. Essa frase é comum e chega num dos pontos mais vulneráveis do ser humano, a sinceridade. Vulnerável, porque a sinceridade implica em assumir a própria opinião independente das consequências que ela vai trazer. Mais uma vez, a preocupação de ser ou não sincero, tem a ver com a opinião alheia. As pessoas ainda se preocupam demais em agradar ou não desagradar o outro, ignorando ela mesma. A sinceridade tem que começar da pessoa consigo mesma, assumir a legitimidade das vontades e realiza-las a fim de satisfazer a necessidade em aberto. Assim, a pessoa será capaz de assumir com naturalidade a sua opinião sobre as coisas. Ser sincero é ser justo consigo mesmo e com o outro, é colocar o "eu"no lugar de senhor de si mesmo. Mais uma vez, a questão está relacionada com a dificuldade que as pessoas têm de assumir seu eu real, aqui, o real não é o que eu penso, é o que eu vivo. Essa necessidade imposta seja pela cultura, pela sociedade, de que devemos respeitar um padrão de pensamentos, valores, comportamentos, nos mantém refém de nós mesmos, nos priva  da liberdade que é nata, que existe a partir do momento que nós existimos. Nós somos condenados a ser livres e ser livre traz a responsabilidade como sua maior aliada. Ser livre é ser saudável, inteiro, é o poder ser. Deixar a nossa emoção fluir, é o que permite vir a emoção do outro, portanto, ser inteiro, sincero, é que permite a troca plena do eu com o outro, essencial para o nosso processo de construção. Pode-se então dizer, que ser sincero é ser livre, traz a idéia de ser humano concreto, desafiado, finito, singular na sua forma de ser e estar no mundo. 
Façamos jus a nossa existência, ao nosso poder ser, à liberdade de escolha que nos permite ir e vir dentro e fora de nós mesmos, lembrando sempre que o mundo não é pura exterioridade e o ser humano não é pura interioridade, é no encontro eu - mundo que há a construção. 
Taynã Lizárraga Carvalho

sábado, 18 de maio de 2013

Passo o tempo o tempo passa... tic tac...tic tac...



Não adianta fugir, tentar escapar...o tempo acontece. Por isso...

Não quero entender a mágica do tempo. Suas ondas, seus estalos, seus espamos...tempo que é. Num dia é interrogação, no outro, te exclama de mané! Não é meu, não é seu, é. Passa, repassa, espaça, disfarça. Se mostra na hora. Roda. Quando vê, já foi. Num descompasso da vida, por algumas horas, me vi perdida. Não via saída. Culpei o tempo...não senti meu tempo. Pensei que não. Me disseram que buscar a felicidade, impede de ver a felicidade que está nas mãos...Fugi do passo, do compasso, do embaraço. E no agora, foi preciso olhar pra mim. Num choque de realidade, me vi, pra mim. As vezes, é o ciclo do todo que precisa girar para tocar o seu...No meio de tanta fuga, escuro, medo...Mais um toque do universo...volto ao meu meio, ao meu centro...e vejo...é aqui.
Taynã Lizárraga Carvalho

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Todo desencontro tem o seu encanto - baseado em fatos reais

Baseado em fatos reais... <3

Pensando bem, o desencontro também tem seu encanto. Desfaz as linhas retas que fazem o encantar... E pensando um pouco mais, o encontro de um pirata aventureiro com uma barbie sereia é total desencontro. O encanto foi assimétrico, composto por letras, olhos, e tecnologia... hã? É...e desde então, se manteve assim...assimétrico. Uma barba, penduricalhos pelo corpo, maquiagem, salto alto...E por aí vai...Um tanto de desencontros que se encontraram no olhar. Olhar de longe, de uma cidade pra outra, pela tela de um computador...letras que construíram textos que compartem de um mesmo olhar...De perto, esse olhar dizia tanto...e de repente, outro desencontro. Os corpos se encontravam, mas os olhos estavam fechados. A barbie sereia foi pra longe do mar... o pirata aventureiro mergulhou num aquário cheio de peixes...Sereia não sobrevive muito tempo longe do mar...respirou, respirou, respirou..mergulhou no aquário e se afogou. glub glub glub... O pirata nadou, nadou, nadou, nadou...e só nadou. A sereia é esperta, a vida no mar é para fortes e ela soube escapar...pensou, pensou, pensou..."Nessa vida longe do mar, pra eu viver, preciso cortar a minha cauda. Puta que pariu! Que dor... "Se a sereia cortar a cauda, deixa de ser sereia... Mas, foda-se! Ela não tinha opção...vapt! Cortou. E a surpresa...ela tinha pernas, fortes e torneadas! Uau! Resolveu testar as pernas e correu para ver o mar com outros olhos...Na verdade, já que não era mais sereia, a barbie resolveu ir de avião mesmo...afinal, 1200km iam acabar com as suas pernocas. Tá...enquanto isso, o pirata se aventurava no aquário....ele ficava louco com tantos peixes coloridos, cavalos marinhos...enfeites, água que não acabava mais...parecia deslumbrado...olhos hipnotizados com tanta cor. A sereia chegou ao mar...olhou, entrou na água, e viu que ali não dava pra viver...retomou a barbie e seguiu....conheceu outras pessoas, correu na areia, andou de bicicleta, se divertiu muito...mas reparou que havia algo errado com o seu coração e com o seu estômago...Essa vida fora do mar, aguçava os seus sentimentos. De repente memória e coração tavam se entendendo...mas ela não entendia nada. "Porque eu lembro desse pirata que deixou eu me afogar? Porque quando eu lembro dele, o meu coracão acelera e meu estômago fica gelado? Ele deixou eu me afogar!!! Será que ele sabia que eu tinha essas pernas?" Hmmmm....enquanto isso, laaaa no aquário, pffff....pifou! Bom, perdemos o contato com o pirata....Voltemos à sereia, que agora é barbie... Ela tava perdida com tantos sentimentos, ela não sabia que isso podia acontecer... Foi vivendo dia atrás do outro...resolveu voltar pra longe do mar....voltou. E o pirata? Será que ainda estava no aquário? Qual era a aventura da vez? Ela ainda se pegava pensando nele...e agoniada, não entendia... "Eu não vejo mais os olhos, não leio as letras, os corpos não se encontram mais...o que diabos está acontecendo com a minha cabeça? Quero a minha memória de peixe de volta!" Passa o tempo e a barbie tenta lidar com essa confusão...Talvez, o pirata que viveu tantas aventuras, saiba explicar o que acontece quando o nada ainda é alguma coisa. Será? Acho que não...o pirata aventureiro não é tão aventureiro assim...Será que ele se jogou no aquário porque também não entendia esse lance de tanto olhar? Desencontro que encontra...encanto no desencontro... é muita maluquice. Talvez o pirata tenha medo...Com essas questões, a sereia pensava em levar o pirata pro meio do mar...bravo, cheio de tubarões, ondas, água salgada, baleias, muuuitos peixes coloridos e golfinhos também... Mas pra isso, ela precisava se jogar no aquário, era o único jeito de encontrar o pirata...plof! Se jogou! Nada do pirata...nenhum sinal... um contato meio nada...passou o tempo e tcharam! Ali estava o pirata...no aquário, fantasiado de peixe colorido... rodeado de outros peixes...a sereia quase não reconheceu. Então pensou... "Isso que acontece dentro de mim, coração acelerando, estômago ficando gelado...é só pra me lembrar que eu não sou mais sereia, sou barbie, sou ser humano...e eu sinto. Esse pirata encantou meus olhos com os seus, com as suas letras que compunham tão bem através de uma tela o que eu pude chamar de encontro. Encontro de dois...que se desencontram, dois assimétricos num mundo tão geométrico. O espaço do aquário talvez tenha sido pequeno para a sua assimetria, querido pirata...vc tomou forma, de peixe." A sereia se despediu e foi embora do aquário...dormiu, mas o seu corpo ainda dava sinais daquele sentir... ? "Eu não quero a vida dentro de um aquário...agora que sou barbie e ser humano, quero a vida assim, com pés no chão, quero caminhar e passear de barco, quero o mar inteiro com toda a sua beleza...quero ver a sua beleza. Parece estranho, mas eu tenho medo de peixe de aquário. Quero desencontro que encontra, quero olhos, letras e sentir sincero...Nesse tempo e nessa confusão, aprendi a gostar do que sinto e quero isso pra toda a vida, mesmo que longe do mar, fora do aquário. Eu sou barbie, mas fui sereia... na vida no mar, até a sereia conquistou seu quê de aventureira." A história não termina aqui...nem lá, eu não sei na verdade...mas com essa história eu reforcei em mim que: mar calmo não faz bom marinheiro. Paixão (coracão acelerado e estômago gelado) faz bem independente de qualquer coisa. Pirata também tem medo. Barbie sereia é aventureira. Todo desencontro tem o seu encanto.

Taynã Lizárraga Carvalho