terça-feira, 29 de abril de 2014

Sobre a solitude



O segredo está em ser inteiro, ser pleno em si mesmo, ser consigo, tudo aquilo que deseja que sejam contigo, ser presente. É tão somente quando vivemos em paz com a nossa solitude, que um outro ser, também pleno em sua solitude, se aproxima da gente. O universo junta os semelhantes de alma, encontra as pazes emanadas, aqueles são mestres de suas vidas, de suas jornadas, de suas sombras e suas iluminadas asas e então, é que vivemos um encontro sincero, no qual a felicidade não é só somada, é multiplicada, aí, cria-se um fenômeno, o fenômeno do compartilhamento, intensa troca que os colocam juntos em unidade e é a partir daí que desfrutam da existência. Nós existimos porque o outro existe.
Taynã Lizárraga Carvalho

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Ahh...os amores!


Dos amores... 


É engraçado como ao mesmo tempo que o amor traz a paz, também a tira. Um equilíbrio justo para que não haja apego ou um conforto ilusório. O amor inspira, a incerteza que transpira, movimenta a nossa energia sempre em busca de vida. O amor instiga, ensina a transitar sem medo pelas linhas bambas e abismos da vida. O amor é alimento que cresce a gente, faz a gente ser mais a gente e sempre o melhor da gente. Amor traduz a busca incessante por sorrisos e abraços e beijos que afagam, é descanso e impulso num mesmo compasso, é ser e estar, acolher e doar, doar sem doer, é infindo amadurecer. 


Taynã Lizárraga Carvalho 

Calma que é


Pára. Respira a pausa. Cala. Descansa o peito, desacelera inteiro, pede calma. Sente presente, suave, desfaz da vontade que impede de ver. Percebe o sopro, o vento solto que muda a direção. Releva o conhecido gosto, que soou desgostoso para o coração. Entrega a pena, acaricia sua alma que às vezes se faz pequena para transitar na multidão. Você é a própria multidão. Adormece leve, você já esteve entregue. Abraça a calma, se toma de alma, respira fundo, respira o segundo, olha adiante. Deixa estar, abençoa a razão, mesmo que não seja a sua. A vida é sábia, planta para florir alguma hora, em algum lugar. É sempre tempo de deixar estar e se vento forte levar, lava a alma e outra vez, instala a calma. Sempre, calma.
Taynã Lizárraga Carvalho

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Doce não

Não, é vento frio que sussurra doído, que cala em um piu, esse coração. É dito forte, que sacode e encolhe toda a emoção. É rito de passagem, é descanso nada suave para a paixão. É vibração que inquieta, é certeza que cega e traz a regra de que antes certeza sincera, que dúvida esperta. Não, é um pouco dor, perde o sabor, mas se é convicto, soa doce, dói doce, só por ser de coração. 
Taynã Lizárraga Carvalho

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Sobre o tempo...

Tempo que é, assim como o ar. Tempo que é o respirar, o caminhar. Tempo que mexe com a gente, que leva a gente, espalha a gente pelos caminhos a frente. Sempre é tempo, a gente é o próprio tempo. Tempo que incita a busca, a eterna e constante busca do eu interior. Busca que é luz envolvente, que nos faz presente até quando estamos ausente. Busca essa que é luta, que é pura, que nos faz senhores da própria lua, do próprio sol, que ilumina o escuro que vez ou outra aparece intruso e aí é sombra, nossa própria sombra, que às vezes tormento, outras, é vento, só vento. Eu bem tento ser tempo a todo tempo, me presenteio de sol, às vezes raio, às vezes intenso sol. Sigo firme na busca e faço da luta, distração, é onde solto o coração que de tanta busca, ousa em expor sua canção.
Taynã Lizárrraga Carvalho

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Sobre o choro

A gente chora pra lavar a alma, pra ir embora toda dor cristalizada e abrir espaço pra tudo o que vem agora. A gente chora pra acalmar as lembranças, tantas, que a gente tenta esquecer, mas, a gente chora que é pra suavizar na memória, toda a nossa história sem ter que esquecer. A gente chora pra despedir do tempo que está indo, do aperto que está soltando, do peito que vai levemente esfriando, levando a febre que tanto o desgastou. A gente chora o alívio, o claro e transparente rio que segue fluindo. A gente chora e não ignora, porque, toda lágrima que vai embora, vai em boa hora. Também é choro certo, aquele que é desperto pelo intenso toque do universo, que cisma em encantar, encontrar, entrelaçar, corpos, sóis, luas e estrelas, que brilham os olhos e alimentam o coração. Toda lágrima que segue, tem destino certo, por isso a gente chora, tudo o que invade a gente, tem o tempo de ser e seguir corrente, a gente chora que é para abrir espaço para o novo presente.
Taynã Lizárraga Carvalho

Desejo pra quê?

De que servem os desejos se as suas ações descansam no tempo? Os desejos têm função de movimentar. Quando deseja-se por desejar, perde-se na fantasia e saboreia o insosso gosto do que não é real. A gente deseja para ter a graça e o gosto do fazer acontecer, para tirar a fantasia, despender energia em prol do prazer e da alegria. A gente deseja para viver. Sábio é fantasiar para criar estratégia, gerar a energia que precisa, sair da risca, se colocar no risco de ser isso ou aquilo, mas, ser, no tempo vivido. Sábio é desejar o que não se compra, é querer sentir, conhecer, ver, tecer sorrisos que duram do anoitecer ao amanhecer e do amanhecer ao anoitecer. A gente deseja para ser presente e estar presente e quando a gente sente, o desejo é que a gente seja reticente. 
Taynã Lizárraga Carvalho

terça-feira, 22 de abril de 2014

Pausa para falar o coração

Uma pausa. Deixa falar o coração que anda descompassado. Tempo de se recolher no peito, descansa, desliza na dança, balança, só balança, sambalança, o coração tá em ritmo de samba. Amanhece quente, anoitece contente. Há quem diga que paixão é música envolvente, flutua a gente e já esquece o tempo, é no espaço, suave como o vento. Pausa que é para o sorriso ir além, eu não sei de samba, mas meu coração sabe bem. 
Taynã Lizárraga Carvalho

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Acaso que é


O acaso é fruto do movimento, que entregue ao tempo, se manteve constante, operante. O tempo age em meio a verdades que, desabrigam o peito, flutuam com o vento, pra alcançar seu canto alento. Tempo que não sei, que não sou, mas, que cuida sempre de acalmar a luta. Tempo é sincero, intérmino, sério, tempo é amigo e abrigo. Dá cor ao acaso, dá vida à encontros raros, é braço e abraço, é beijo e entrelaço, é vivo e infinito, é hoje quieto, amanhã florido, é sabedoria que toma conta, é sopro de esperança.
Taynã Lizárraga Carvalho

terça-feira, 15 de abril de 2014

Ser-se

Ser-se, é o que temos a oferecer. Se falta ser em si, se você é o outro, mas, não é si mesmo para que o outro também o seja, então, você não é nada. Não há tempo, amor, compaixão, compreensão, que faça o seu papel. Ou é ou não é, ou toca ou não toca. 
Taynã Lizárraga Carvalho

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Sê cara, sê coração


Anda. Segue para onde o coração aponta. Inventa, reinventa, linhas que levam onde há calma, alenta. Deixa que a razão te orienta. É mais feliz quem experimenta. Faz de graça, para alimentar a alma, para refletir em quem se apaga. Sê luz, inspira, o coração morno de quem se esquiva. Sê cor, onde de cinza se pintou. Embola, com o que te faz palpitar sem hora. Sê agora, que essa, sempre será a hora. 
Taynã Lizárraga Carvalho

domingo, 13 de abril de 2014

Esteja atento

Cuida das suas vontades, legitima suas necessidades e reconheça-se no tempo e no espaço. Quando você se faz presente, o universo conspira a seu favor. Emana a energia que envolve o seu coração e os ventos soprarão para a direção "certa". Você é senhor do próprio caminho. 
Taynã Lizárraga Carvalho

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Dos insights

Escrevendo um e mail para uma amiga que mora longe, percebi uma coisa importante sobre o tempo e o amadurecimento. Pensei então... "quando é que estamos maduros?". E não há uma resposta certa. Mas, o que me fez perceber que algo em mim mudou, foram algumas conclusões que consegui chegar a respeito de coisas triviais da vida. Por exemplo, a gente tende sempre a acreditar que todas as coisas tem início, meio e fim, não é? Nada é para sempre.... enfim! E de fato nada é. A diferença está no peso que colocamos no fim das coisas. O que me fez pensar nisso propriamente, foi o falar de um relacionamento. Parei para pensar em todas as vezes que eu repeti "não deu certo"... e dessa vez, estava eu dizendo.... "aquilo que acontece e nos enche de alegria, de amor, não precisa durar mais que o tempo que durou, o tempo que foi, foi o tempo que deu certo. Porque não é mais, não quer dizer que não deu." Algo mais ou menos assim. E é uma verdade. Além do mais, fim é fechamento, assim como é início. É só porque encerramos as coisas, que novas surgem. Há uma imaturidade impregnada nas pessoas a respeito das relações, querermos demais, idealizamos demais e não aproveitamos nada propriamente dito. É preciso se desfazer de imagens prontas, para construir verdades momentâneas, essas que são exatamente o que a gente precisa. Ninguém precisa de anos de respostas sonhadas. Precisa-se muitas vezes, de um segundo real, suficiente para satisfazer ali, uma necessidade real. O que importa se ele não é alto como o que você desejou, mas, te enche de carinho? Ou de que adianta ser enorme e ter o beijo horrível? Ou ainda, te amar loucamente, mas você não se sentir feliz? Não existe uma forma, cheiro, gosto, tamanho, cor...ideal. As pessoas se encontram por alguma razão e o que acontece no encontro é o que precisava acontecer. É importante que tenhamos sabedoria de olhar sempre para os ganhos de tudo o que nos acontece. E aí você se pergunta... "e onde não há ganho?", é aí que você se engana. Sempre há algum ganho, mesmo que represente algo que você não queira mais na sua vida, o aprendizado foi esse. Tudo acontece para que saibamos lidar com as mais diversas situações, pessoas... A gente se torna mais habilidoso com a vida quando nos dispomos a vivê-la com o que quer que ela traga. Com essa vastidão de experiências, aprendemos também, que não existe uma única forma de amar. São muitos amores. São as mais diferentes possibilidades de amor. E ainda bem, porque imagina, que tédio seriam os relacionamentos, se fossem previsíveis?! Agora, uma coisa é bem certa, é imprescindível que estejamos sempre dispostos, afinal, assim como a vida, o amor é incerto. Não há medo que resolva a insegurança do "não saber", não há distância capaz de não aquecer o coração. Estaremos sempre vulneráveis à todas as paixões. Compreenda que amar alguém nada tem a ver com a eternidade. Disso tudo o que vivemos, só o que não tem fim, somos nós mesmos. Porém, todos os "entres" que acompanham os inícios e os fins, é que nos tornam capazes e sempre mais, de viver. Essa vida não é para temer, não é para compensar, não é para pertencer. Somos livres e soltos, únicos e inteiros. Tudo o que acontece, é para agregar ao que já existe. Portanto, àqueles que tem medo de se envolver, deixe estar, não vai ser você capaz de curar. Aos que despertam o apaixonar, apaixone-se e sempre mais, o tempo que durar. Faça valer. É uma vida, mas, são inúmeros "nascer do sol" para validar.
Taynã Lizárraga Carvalho

terça-feira, 8 de abril de 2014

Verdade que é

O valor do encontro está na verdade. Na verdade da busca, da presença, da entrega e do recebimento, verdade da troca que desperta uma busca interna do melhor que há em si. No encontro de verdade, a gente se vê na pupila do outro, a gente toca a alma num abraço profundo, que inspira vontade de ser com, ser para. A gente abandona a mania de querer ser para ser e só. Amanhece em si a luz da própria verdade que ilumina os passos em direção à inteireza. Esquece a perfeição e acolhe a impermanência, coloca-se maleável para viver a experiência de ser um inteiro num encontro de dois. Entende que é alimento e busca a nutrição. A verdade é solo fértil para o nascer do amor. 
Taynã Lizárraga Carvalho

domingo, 6 de abril de 2014

Sobre o conformismo

Aquele que não enfrenta o conformismo, se perde no limite do mínimo. Minimamente viverá, minimamente se apaixonará. Escreverá histórias mornas que esfriarão antes mesmo de começar a contar. Esse que se pune sem saber, terá vida curta porque nem mesmo deixou o coração bater, o corpo aquecer... Esse é dos que se afoga na beira porque é incapaz de mergulhar, nada pouco, enxerga pouco, vive de pouco que é pra não ter que encarar...

sexta-feira, 4 de abril de 2014

[Dis]ponha-se

[Dis]posição, o que se opõe ao fixo, remete à movimento. Dispor-se é fundamental para girar no ciclo da vida, fluir com naturalidade diante os acontecimentos, com a clara compreensão da necessidade de colocar-se e retirar-se nos devidos momentos. É sábio usar da serenidade para manejar-se no entrar de uma situação e no sair da mesma, quando reconhece-se início e fim, respectivamente. Ser disposto é característica nobre, que permite o melhor encarar dos impasses que encontramos pelos caminhos, bem como, possibilita encontros reais que funcionam como saída para esses impasses vividos; os dispostos se atraem. Disposição é então, energia vital para o construir. Disponha-se, oponha-se, movimente-se, dance pelos caminhos.
Taynã Lizárraga Carvalho

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Pensando no todo, que somos todos nós

Para mim, a grande questão está na falta de apropriação do próprio eu. É antigo o comportamento de ser algo ou alguém para um outro, em detrimento do que é, existencialmente. Aqui, encontra-se uma divergência de pensamentos a respeito da existência. O que vem antes, a existência ou a essência? E para mim é claro; eu existo e conforme tenho minhas vivências, experiências, minha essência vai sendo criada. A flexibilidade da existência, o poder-ser, permite que eu me redefina cotidianamente, existindo. Nesse caso, percebe-se a essência como constitutiva do ser. A possibilidade do vir-a-ser e o poder-ser infinito, traz a idéia do ser humano como uma totalidade em constante movimento. Pensando assim, apropriar-se como uma totalidade e reconhecendo a totalidade do outro, alcançamos a liberdade essencial para que sejam expressas as singularidades e só assim, os seres humanos encontram-se numa relação de troca fluida e saudável que os mantém no movimento constante de construção.
Nos reconhecendo como um grande todo, funcionando através de todos, se constituindo por meio de uma interminável evolução de todos em novos todos, é possível pensar que, sendo cada um responsável pela sua existência, coexistindo fluidamente, é possível alguma transformação maior desse mundo que é de todos e é "todos".
Taynã Lizárraga Carvalho

terça-feira, 1 de abril de 2014

Eis que chega...


Sempre chega o tempo de transformar. Às vezes acompanhado da maturidade, outras, por alguma necessidade... A verdade é que o tempo passa e o acúmulo de experiências, vivências, reflexões, trazem esse despertar. Alguns retratos não cabem mais na mente, certos contatos só ocupam espaço na agenda, dos amores passados, basta guardar a experiência, de quem foi embora, mantemos viva a saudade, hábitos caem em desuso, músicas, livros, tornam-se desinteressante, porque nesse momento, os interesses são outros. Aquilo tudo que atraía, hoje, passa despercebido. Houve com o tempo, um novo plantar que, quando é chegada a hora, floresce e a hora é de colher. Você se percebe mais apropriado e exigente com as suas escolhas. Não é mais o bonito que atrai, valoriza-se a verdade antes de qualquer coisa, porque, sabe que o tempo é curto e não quer desperdiça-lo. Reconhece a finitude das coisas e valoriza aquilo que não se enxerga com os olhos. Deixa o fluir das emoções porque sabe que a gente se torna mais humano quando sente e lembra mais uma vez que o tempo é curto para ser raso. Percebe o universo como unidade e aprende a conviver com tudo o que existe. Se emociona com o que inspira vida, porque nesse momento, tudo o que você deseja, é respirar vida. Se atrai pela beleza das cores, dos cheiros e dos sabores e aí, já sabe conviver com certos des-gostos. Essa é a hora que você se emociona de saber que mais um ciclo se encerra. Que você revive em memória alguns feitos, no meu caso, lê alguns textos e vê o quanto a vida lhe ins[pira] e se a gente respira a vida, é vida que a gente tem pra viver. Esse momento é de encontro com o coração, que com seus mais variados beats, possibilitou essa construção. Vida que segue...
Taynã Lizárraga Carvalho