quinta-feira, 29 de maio de 2014

Do que sou...


Sou de tempos em tempos um grande vão. Sou vazio e profundo, mudo. De tempos em tempos sou também reviravolta, sou discórdia, grito, sou maré alta e atrito. Sou por toda a vida, um mix de tudo o que há, eu existo. Sou ora vão e não deixo de ser imensidão, sou vezes fraca, que é para acordar para a batalha. Sou calor e gelo, sou força e medo, medo de não ser mais. Sou amor e sou dor, sou vezes guerra, mas, sempre em paz. Sou eu e também sou você, sou o que mostro e o que ninguém vê. Sou para sempre, ontem, hoje, de repente, sou corrente, reticente. 
Taynã Lizárraga Carvalho

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Um apelo ao desuso do amor...


Aqui jaz incontáveis corações partidos, que um dia amaram e se sentiram traídos. Aqui moram desilusões reais, que por amarem demais, se perderam de tais, mesmas. Vivem aqui os mais diversos medos, que de tanto sonharem, na fantasia se perderam. Aqui festejam muitos passados, que vivem encostados em futuros desapropriados. Aqui não há registro de nenhum fundo do coração, pois, não há corajosos que se permitam mergulhar na imensidão. Jaz aqui, um povo feito de amores excluidos do peito. Há a fantasia da razão, daqueles que esperaram amor de onde ele não nasce não. Eu ouso em dizer, que aqui é morada da confusão, daqueles que não aprenderam que o amor brota é do próprio coração. Deixo então, meus sinceros sentimentos àqueles que cegamente, escolheram ocultar suas próprias nascentes. Esclareço-lhes também, que a função do amor é amar. Desejo-lhes força para abandonar a falsa necessidade de retribuição, reciprocidade. Quando se fala sobre o amor, trata-se da sua verdade, espontânea liberdade, sua nata e vasta possibilidade, de que é e ser, já basta. A gente ama que é para alimentar o próprio coração, a própria alma da mais pura bondade. Amor não é apego, não é amigo do medo, amor é conforto no peito, é vida que exala, é de dentro para fora. Deixo aqui então, meu apelo, de que sejamos cada um em si, amor por inteiro e que num minuto de silêncio, sopremos nossas dores, nossos medos, que abracemos a nós mesmos e sejamos justos em nos permitir, ser amor, a partir de hoje, reticente amor. 
Taynã Lizárraga Carvalho

terça-feira, 27 de maio de 2014

Dos insights


E você se dá conta que não é de repente que os estalos acontecem. A gente está naturalmente inserido num fluxo e toda a busca feita durante os percursos, tende a virar estalo em algum momento. É quando você se reconhece com propriedade em cada papel que desempenha. Acolhe a realidade que se mostra e deixa descansar a razão. Compreende que é no vir-a-ser que a consciência toma forma e você se coloca devidamente em cada lugar de ser no mundo, ser com o mundo e ser para o mundo.Percebe a singularidade da existência, se vê senhor criador da sua própria existência e aí consegue enxergar com clareza as possibilidades de transformação. Descobre que as dificuldades nada mais são que impulsos que nos direcionam para a mudança, então, apropria-se do desespero, da angústia, para conquistar a mudança. Aprende a conviver com as emoções porque percebe que é a partir delas que surge a necessidade de transformar. Também aprende que não há necessidade de retorno à todo movimento que se faz para fora de si, mas, que é no deixar fluir da nossa emoção, que flui a emoção do outro. Nesse processo, torna-se íntimo das suas questões e descobre que muitas vezes, o outro, aparece como um espelho, que nos coloca de frente com tudo aquilo que é de fato nosso e que traz certo desconforto, assim, busca-se um caminho de volta para si mesmo e desfaz da necessidade de doar responsabilidades e julgar o próximo. É aí que você se vê inteiramente presente na sua existência e consegue enxergar a graça de ser senhor de si mesmo. A resposta de tudo o que você busca, está dentro de você e o caminho voltado para dentro de si, é o caminho da construção. É essencial que de tempos em tempos, acolha o vazio que se mostra, lembrando sempre que, vazio é fim como vazio é começo. É sempre tempo de renascer.

domingo, 25 de maio de 2014

Mira que miro.

Na mira eu tenho o além. Contemplo o que vem, no ar, o vento que traz, a luz que se instala, que paira, que brilha a estrada. O que eu vejo, ninguém vê. 
Taynã Lizárraga Carvalho

domingo, 18 de maio de 2014

A confusão, eu salvo.

Salvo a confusão, que é parte da cri[ação], engano que mexe a gente, que dá sentido ao passo que é dado a frente. Salvo porque ali desfaço, faço, num movimento constante de desembaraços. Laços falhos se desatam e é sempre tempo de abandonar os rastros. Con-fusão que entrega a gente ao sempre incerto presente que é presente. Desorganiza pra não ser tédio. A ordem é o mistério. Nesse mar de fusão eu fico com, fico entregue, sou então e sou entre e às vezes nada. Sou possibilidade sem hora exata. Sou sendo, sou indo, percebendo e sentindo. Sou abrigo de tudo o que há, assim como o ar, com filtro. Sou de toda con-fusão, a busca pelo sentido, que é tido sentir. 
Taynã Lizárraga Carvalho

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Nós somos o mundo

Porque de tudo o que é feito, a única garantia é a consequência. Tudo pode. Somos livres, a liberdade é condição nata, somos condenados à liberdade. Condenados porque não há liberdade sem responsabilidade, não há liberdade sem consequência. Em um universo no qual tudo é um todo e tudo afeta tudo, somos, cada um, em sua própria existência, constituintes do todo, participantes ativos do todo que é construído. A liberdade de escolha é condição saudável de existência, se soubermos utiliza-la com responsabilidade. A responsabilidade a respeito dos nossos atos, é que nos garante a evolução e é esse interminável processo de evolução de cada um, de todos, em novos todos, que dá forma ao mundo. Nós somos o mundo.
Taynã Lizárraga Carvalho

terça-feira, 13 de maio de 2014

De repente, plim!

Um dia qualquer, não se pergunte por quê. Mas, um olhar, uma conversa, um toque...o cheiro, o gosto...tudo faz sentido, é sentido. Todas as negações são compreendidas ao passo que a aceitação, única no peito de quem sente, toma conta. Nega o que não toca, usa o vazio, desvia do que vê. Tece sorrisos, descansa o juízo, aposenta o que se diz por dizer. Navega sem rumo, sem plano, sem eira nem beira, rema com a incerteza que leva pra lá, pra ali, pro além...que segue o caminho que se fez sozinho, num dado momento, num encontro que já era, antes de ser. De mãos dadas com o desconhecido, tira a fantasia, se coloca de cabeça erguida, se faz protagonista do que se cria. Deixa acelerar o coração, desenha na face o gosto daquilo que veio, que veio só, enroscou de jeito, que de toda a imensidão, pousou no peito, o seu.
Taynã Lizárraga Carvalho

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Incerto e constante...

Não fosse pela incerteza, não conheceria o valor de ser, vez ou outra, certeira. Nos passos dados aliados ao coração, de vão em vão, fiz-me vasta, plena de possibilidades que um dia serão. Incertamente, mas, constantemente, sigo em frente e avante, embora às vezes flutuante, é que eu só preciso de um pouco de emoção, às vezes pouco, às vezes pura emoção. É de não saber, que eu ins[piro] a alma, alimento a calma e respiro vão, tão são. 
Taynã Lizárraga Carvalho

domingo, 11 de maio de 2014

Dos incômodos

Quando uma situação incomoda, a melhor forma de superar o incômodo, é vivenciá-lo. Quando nos colocamos presentes, parte e todo da situação, nos apropriamos dos sentimentos que surgem e só assim podemos transformá-los. O incômodo, a angústia, são alimentos fundamentais para o processo de mundança. Se soubermos enxergar e acolher a função dos des-confortos, maior será o nosso movimento em busca de satisfação e consequentemente mais satisfeitos seremos. Des-conforto, tirar o conforto é essencial para que estejamos sempre girando. Vida é movimento.
Taynã Lizárraga Carvalho