domingo, 4 de maio de 2014

Do que fica passado


Te deixo com a memória, com a lembrança de um poderia sincero que nunca foi. Guarda contigo, o gosto do desconhecido amor que, de tão escolhido, no tempo ficou. Te deixo a graça que de escondida, apagou, escureceu. Pode ficar com as noites, pra conversar sozinho, com esse coração que de tudo, escolheu se encolher. Também te deixo com todo o tempo, pra se consolar nas horas, fazer morada de vento, que passa e só passa e não abriga nem a si mesmo. Mas de tudo, te deixo aquilo de que eu mais precisei, que hoje, eu posso te oferecer sem doer... A minha coragem, que só por ela, consigo te deixar meus rastros e agora, sigo adiante, não levo no peito, nenhuma inconstante sensação, te devolvi todos os poderias e levo comigo o mais concreto não, a certeza de quem doou, intensificou, que foi longe...e com toda a coragem, voltou, para o mesmo lugar. De poderia, morreu a chance, que a vida dá sem hesitar. De poderia, fica esquecida, perde o valor, perde o lugar. Por isso, guarda contigo, o gosto do que não foi, usa para mais na frente lembrar, não é o vento, não é o tempo, é a coragem que nos faz ser e estar.

Taynã Lizárraga Carvalho

Nenhum comentário:

Postar um comentário