quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Grande e raso mar dos tem[idos]


De tanto nó sem laço, posso perceber, que grande é o mar dos que tem[idos], estamos a viver. A onda é a superfície, que rasa, envolve, dissolve e devolve o que lhe basta. Então, somos poeira e nada. Aqui, nada é tudo e tudo é muito do que nos falta. 
Taynã Lizárraga Carvalho 

Do que o tempo traz.


Com o tempo, tenho amadurecido a idéia de que tudo na vida tem um pra quê. Se aprendemos a enxergar a função de tudo o que acontece, fluimos melhor no fluxo da vida. Cada vez mais, percebo a importância dos encontros, tantos e tão distintos, mas, que no tempo em que são, fazem todo o sentido. Fato é a impermanência, estamos sempre de passagem e mesmo que os caminhos seguintes, ainda nos encontre, repetidamente, de forma, cor, cheiro ou sabor diferente, algo ainda tem para acontecer. Evitamos aquilo que não entendemos, porque normalmente não temos a compreensão necessária a respeito do que necessitamos, não compreendemos o tempo, os momentos, que são únicos e despertam exclusivamente a necessidade daquele exato tempo. Deixamos muito passar, pela incapacidade criada de não nos respeitar. Passamos por cima de senimentos, porque estes, são facilmente inibidos por prazeres alentos, instantâneos. Ignoramos as legítimas necessidades porque vivemos o ego, que grita mais alto, se impõe a cada passo em falso ou tropeção, mostrando que a superfície está cheia, inúmeros são os enganos do raso. Nos fazemos fracos. Nos limitamos a beira. Vivemos presos ao conforto tolo, que se pinta fácil e acomoda o frágil sem sacudir. Assim percebo. Não julgo, porque ora tenho medo, vivo tanto quanto todos, o teatro do ego. Mas, uma coisa tenho aprendido, o tempo passa, as experiências brotam e nelas, eu me faço, dia fato, dia desfaço, assim sigo, compreensivo, porque de tudo o que não sei, invariavelmente, vivo. 
Taynã Lizárraga Carvalho 

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

V[ida] que é


É que viver, despenteia. O vento que sopra, a mão que toca, o corpo que anda, corre, dança. A vida é um grande sopro, vai e vem , não pára. Despenteado, beijado, abraçado, estabefeado, por cada vento que vem com o tempo, somo lembranças. Sou cada fio embaraçado, retrato do movimento que faço passo a passo, nesse grande sopro de entrelaços. V[ida]. 
Taynã Lizárraga Carvalho 

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Íntimo de si mesmo


Que tenhamos o interesse de interagir com as nossas próprias idéias. Que saibamos manifestar os nossos sentimentos sutilmente e que não nos importemos com o formato do nosso pensamento, do nosso sentimento, a ponto de minar sua expressão. Que a complexidade das nossas emoções se descomplique em suas expressões e que as nossas impressões não cristalizem as nossas possibilidades. Que saibamos manter íntegra a nossa parceria com nós mesmos. E que sejamos plenos instantes, internos e expressos. 
Taynã Lizárraga Carvalho 

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Ponto de partida


Um passo de cada vez. É dado o lance. Mesmo que na direção de um talvez, o que sei, é que algum ponto terá. Ponto que exclama. Ponto que derrama a incerteza. Ponto que instala a pausa. Ponto que finaliza. De ponto em ponto, cada passo é um tanto, tanto de amor, tanto de dor, tanto de não sei, tanto que se fez, que se fará. De tanto em ponto, pontuo breve, pontuo leve, a espera de que tanto virá. 
Taynã Lizárraga Carvalho 

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Sentimento que sou


Sou também um sentimento. O que eu expresso, com o vento, toca longe, toca único. Sou risco, rabisco, letra e leitura, voz crua e nua, ponto e vão. O que você vê de mim, é retrato seu. O que eu sou, você sente. 
Taynã Lizárraga Carvalho