Com o tempo, tenho amadurecido a idéia de que tudo na vida tem um pra quê. Se aprendemos a enxergar a função de tudo o que acontece, fluimos melhor no fluxo da vida. Cada vez mais, percebo a importância dos encontros, tantos e tão distintos, mas, que no tempo em que são, fazem todo o sentido. Fato é a impermanência, estamos sempre de passagem e mesmo que os caminhos seguintes, ainda nos encontre, repetidamente, de forma, cor, cheiro ou sabor diferente, algo ainda tem para acontecer. Evitamos aquilo que não entendemos, porque normalmente não temos a compreensão necessária a respeito do que necessitamos, não compreendemos o tempo, os momentos, que são únicos e despertam exclusivamente a necessidade daquele exato tempo. Deixamos muito passar, pela incapacidade criada de não nos respeitar. Passamos por cima de senimentos, porque estes, são facilmente inibidos por prazeres alentos, instantâneos. Ignoramos as legítimas necessidades porque vivemos o ego, que grita mais alto, se impõe a cada passo em falso ou tropeção, mostrando que a superfície está cheia, inúmeros são os enganos do raso. Nos fazemos fracos. Nos limitamos a beira. Vivemos presos ao conforto tolo, que se pinta fácil e acomoda o frágil sem sacudir. Assim percebo. Não julgo, porque ora tenho medo, vivo tanto quanto todos, o teatro do ego. Mas, uma coisa tenho aprendido, o tempo passa, as experiências brotam e nelas, eu me faço, dia fato, dia desfaço, assim sigo, compreensivo, porque de tudo o que não sei, invariavelmente, vivo.
Taynã Lizárraga Carvalho