segunda-feira, 28 de outubro de 2013

O que já foi, não é mais.

Era fácil dizer não, virar as costas, enganar o coração. Só corria, apostava com a vida que nada sentia, nada temia. Tapou os olhos, errou o rumo, seguiu escuro em passos turvos...confundiu todo o tempo do mundo com um único segundo, que desiludiu...escureceu...fez-se cinza, numa armadilha intrínseca, escorregou, caiu... Levantou, respirou, suspirou o tempo, o segundo...eternizou a calma. Mudou o passo...abriu os braços, olhou para frente, seguiu o coração. Tá aí... expira vida, acredita, teme...e treme e palpita...e quase grita, que tá no rumo, tem seu lugar seguro, guarda tudo, é coração, é toda a emoção, é sim e não e é só e é junto...conjunto. 
Taynã Lizárraga Carvalho

sábado, 26 de outubro de 2013

E caminha...e sempre...

Desapega da imagem, do que vê, mas, não enxerga. Desfaz o nó da cuca que impede o trânsito das idéias. Anda, sem pensar na direção certa, segue o coração que a razão se manifesta. Faz de um segundo, uma eternidade. Doe riso para seguir sorrindo, doe abraço para eternizar os laços, porém, segure as pontas, para se lembrar da inconstância, da impermanência, natural de quem é gente como a gente, que é inerente à existência. Assuma os seus caminhos, de mãos dadas ou sozinho, mantém o passo firme, saiba usar a seu favor o que te aflige. Dança, no ritmo que te toca, inventa as suas notas. Seja senhor do seu caminho, se trata com carinho, aceita o que a vida pinta, abraça e caminha...e sempre. 
Taynã Lizárraga Carvalho

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Nós, clandestinos de nós mesmos...

E dia após dia presencio a confirmação de que mundo não é aquilo que eu penso e sim aquilo que eu vivo. Inúmeras são as construções mentais acerca daquilo que se deseja, vivemos figurativamente, buscando significado para tudo o que acontece. Há a necessidade de que as coisas sejam e prossigam e uma grande dificuldade de entender que somos um eterno recomeço. Nada é para sempre, vivemos a eterna impermanência do ser e existir. Portanto, por conta dessa dificuldade de aceitar-nos eternos inacabados, pode-se dizer que somos os grandes clandestinos de nós mesmos. Sempre preocupados com a fantasia que se cria e pouco ocupados com a realidade que se mostra, vivemos como mortos vivos na nossa existência, construindo superficialidades, trafegando por caminhos frágeis, de olhos tapados... Ao acolher toda e qualquer experiência no momento em que ela acontece, estamos dando o passo necessário para o fluir no fluxo da vida. Abrir os olhos e seguir os caminhos que se mostram sem hesitar, é o que nos leva além, além de nós mesmos, presentes e inteiros na complexidade do existir, no mundo, com o mundo e para o mundo. 
Taynã Lizárraga Carvalho

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Pra mim...

A verdade está no coração de quem sente. Eu valorizo o que não se enxerga com os olhos, o que se constrói pela verdade que é, que se faz a cada dia e a gente nem percebe, que quando vê, já é... O que surpreende, que brilha os olhos, que estampa sorriso sem forçar, o que conquista um lugar sem ter que se desviar, que doa sem doer, que está sempre disposto, que tem gosto... Faz bem, aquilo que não tem hora, que participa da roda, que não é à toa, que sai da bolha, que vive os estalos, se enrosca nos laços e sabe ir embora...que se entrega, se reinventa, recomeça e não espera.
Taynã Lizárraga Carvalho

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

É simples...

E quando a saudade estiver sufocando, a dor, a tristeza, estiverem apertando o coração, é só fechar os olhos...bem apertados, que todo o sufoco e aperto, escorrem pelo rosto. 
-Tudo novo de novo- 
Taynã Lizárraga Carvalho

terça-feira, 15 de outubro de 2013

O que já é, é suficiente.

Eu já quis demais. Passei um tempo de querer em querer...fui até onde deu. Não foi suficiente, dei a volta, atravessei o tempo ao contrário, fui lá no querer e me trouxe de volta... trouxe pra perto, pra onde o tempo certo é o tempo que é. Aprendi que querer demais, impede de enxergar o que já é...e no momento em que as coisas são, o que já é, é suficiente. 
Taynã Lizárraga Carvalho

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Foi assim que eu aprendi...

Assim eu aprendi, vendo que os desejos não se realizam por desejar, que mais importante que desejar, é dar os passos na direção do que se deseja. Não importa com que velocidade se dá o passo, importa que o passo seja dado com certeza, mesmo que a certeza seja impermanente. Vi que os minutos duram o tempo necessário para realizar o que quer que seja. Que tempo demais não significa tempo suficiente e tempo de menos não desqualifica um feito. Sigo trilhando reticências incertas, experiências certeiras, completando a cada segundo o livro da vida. Vida que segue...
Taynã Lizárraga Carvalho

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Sem pré ou pós ocupações

A [pre]ocupação é o que limita as possibilidades. Você passa tanto tempo pensando no que poderia ser, que não dá o espaço necessário para que as coisas sejam. Quando você se livra do que poderia, deveria, seria...o universo cuida em preencher o lugar do que é para ser. Quando está livre, sem [pre] ou [pós] ocupações, naturalmente, seus espaços vão sendo ocupados, não pela necessidade, mas, pela disponibilidade. 
Taynã Lizárraga Carvalho

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Um dia...

Que a incerteza toque o meu coração a cada dia renovando as minhas crenças. Que a troca com o incerto desperte mais e mais a minha vontade de descobrir...

Foi no meio de um enorme vazio, oco, sem cor, que as amarras foram se soltando, permitindo a aproximação do universo com o meu centro.
Um dia cinza tornou-se arco - íris. Um furacão de sensações tocou meu corpo dos pés à cabeça, despertando o meu existir mais temido e oculto. Oculto para o mundo, temido por mim. Fora de qualquer regra, da forma mais espontânea e totalmente novo, palavras foram tomando forma, os músculos da face reviveram obrigados a desenhar um enorme sorriso, que vinha sendo construído a cada suspiro...
Meu eu se encontrou num encontro de 2. De repente, um mar de compreensão e verdades soltas, pura espontaneidade. Uma presença completa de corpo e alma, jamais experienciada. O universo finalmente tocou o meu campo. Deu ao medo a função de movimento, na busca de arrancar o pano do que estava reservado. Disse com um sopro forte: "você está pronta! ... e eu podia ver, o desconhecido estava bem ali. 
O maior valor de todo esse encontro, é o encontro com o inteiro. O poder ser e ser inteiro. Sem mas, ou mais...reticências ou interrogações demais. Pontos finais nunca foram tão seguros. 
Enfim, ser um todo em outro todo. Ser conjunto, junto... só por ser, porque é... A liberdade de não ter, de simplesmente ser...O vazio mais radiante de incertezas certeiras, cara e coração à tapa, sem tapar...

Taynã Lizárraga Carvalho