terça-feira, 22 de outubro de 2013

Nós, clandestinos de nós mesmos...

E dia após dia presencio a confirmação de que mundo não é aquilo que eu penso e sim aquilo que eu vivo. Inúmeras são as construções mentais acerca daquilo que se deseja, vivemos figurativamente, buscando significado para tudo o que acontece. Há a necessidade de que as coisas sejam e prossigam e uma grande dificuldade de entender que somos um eterno recomeço. Nada é para sempre, vivemos a eterna impermanência do ser e existir. Portanto, por conta dessa dificuldade de aceitar-nos eternos inacabados, pode-se dizer que somos os grandes clandestinos de nós mesmos. Sempre preocupados com a fantasia que se cria e pouco ocupados com a realidade que se mostra, vivemos como mortos vivos na nossa existência, construindo superficialidades, trafegando por caminhos frágeis, de olhos tapados... Ao acolher toda e qualquer experiência no momento em que ela acontece, estamos dando o passo necessário para o fluir no fluxo da vida. Abrir os olhos e seguir os caminhos que se mostram sem hesitar, é o que nos leva além, além de nós mesmos, presentes e inteiros na complexidade do existir, no mundo, com o mundo e para o mundo. 
Taynã Lizárraga Carvalho

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