quarta-feira, 8 de maio de 2013

Singularidade

Foi aos poucos que fui conseguindo dar valor as coisas que eu faço. A gente nasce numa sociedade pronta, cheia de valores e crenças impostos e os caminhos a serem tomados estão desenhados a nossa frente. O que acontece é que conforme o tempo vai passando e a gente vai tendo as nossas próprias vivências e experiências, os valores e as crenças vão sendo transformados. Vamos aprendendo a enxergar com os próprios olhos e acolher nossas próprias percepções e assim, conduzimos as nossas vidas. O despertar para esse amadurecimento, acho que posso chamar assim, não se dá num determinado momento, o momento em que isso ocorre também é particular, varia de sujeito para sujeito.  A maior dificuldade de acolher a individualidade na sua maior dimensão, é enfrentar o berço, que veio pronto para todos nós. Bater de frente com morais impostas quer pela sociedade, quer pelos nossos pais e responsáveis, parece amedrontador, porém, nossos pais e responsáveis e todos que compõem a nossa sociedade também passaram por isso. Batemos de frente com a mesma questão de sempre...a diferença! O diferente incomoda, exige um expandir de paradigmas quem nem todo mundo está pronto ou disposto a encarar. É mais fácil se adaptar e aconchegar no que está pronto e assim vivemos "okay". Mas, eu pergunto a vocês... Quem gosta de viver "okay"? Ninguém tem vontades, sonhos...? Vamos parar para pensar. O expandir de paradigmas abre a gama de possibilidades de conquistas para todos nós. Conquistas em todos os âmbitos. Nos relacionamos melhor com as pessoas, com as coisas, com os sentimentos e por aí vai. Não devemos ter medo de expressar a percepção que temos do mundo, da vida, das coisas, das pessoas, de nada...Devemos ser justos e sinceros com aquilo que é nosso. Se assim fizermos, saberemos respeitar-nos como deveríamos, cada um como ser único e particular. 
Bom, foi nesse momento que eu me libertei das amarras do passado. Enfrentei o pronto e fui mostrando pouco a pouco o meu diferente... O acolher o diferente vem de um exercício diário. Comigo, começou no consultório. Eu não sabia quem eram as pessoas que iam entrar por aquela porta e todas as pessoas que entrassem ali, estavam precisando de mim. Não podia julgar, eu não sabia nada sobre elas. Foi então que eu pensei: "vou enxergar todo mundo nu! e aí, não vou ter elementos para criar qualquer imagem dessas pessoas!", feito! Passei a enxergar todos que entravam no meu consultório como vieram ao mundo, como eu também vim ao mundo, nus! Eu não tinha noção de quão transformador poderia ser esse exercício e aos poucos fui notando seus efeitos no meu dia-a-dia. Os primeiros efeitos foram em mim mesma, na minha forma de me colocar perante ao mundo. Sem medo, resolvi colocar pra fora todos os meus pensamentos, com um filtro mínimo, porque a liberdade de expressão, é importante ressaltar, não tem a ver com arrogância, bem pelo contrário. A liberdade, seja no que for, traz consequências e essas consequências normalmente afetam a um outro. Sendo assim, devemos pensarnos como um todo. Um todo onde tudo afeta tudo. O que eu escrevo e o que eu desenho, são expressões daquilo que passa pela minha cabeça, colocá-los para fora e ver que outras pessoas se identificam com o que foi exposto, é muito gratificante! É resultado de um exercício de liberdade e uma prova do quanto sendo cada um, um, somos todos um. 

Assim, deixo aqui mais um textinho para refletir...

Que a singularidade seja compreendida. A existência é um processo mutável de ser e estar no mundo, com e para o mundo. É nesse encontro, eu-mundo que há construção. Somos, portanto, seres de relação, a partir do momento que estamos em contato e em movimento, somos capazes de nos transformar. Tudo é um todo, tudo afeta tudo e tudo muda o tempo todo, é a lei da impermanência. Aceitemo-nos como um todo interagindo com o todo e estaremos cuidando uns dos outros. Olhar pra si, é consequentemente olhar para o outro. Sejamos inteiros em nossas relações e assim construiremos relações plenas. Façamos jus a existência e seremos verdadeiros na nossa própria essência.
Taynã Lizárraga Carvalho

3 comentários:

  1. A busca em sermos fiéis a nós mesmos nos solidifica ao ponto de nos sentirmos verdadeiramente livres para vivermos conforme pensamos e sentimos, com coerência e agindo integralmente. Não é um processo que gira em torno apenas de nós mesmos, somos constantemente afetados pelo meio externo, mas o que ele causa em nosso interior aí é um jogo extremamente subjetivo. A empatia é um elemento primordia para vivermos bem com outros humanos, olhando com sensibilidade para si é inevitável não refletir nos demais seres. Adorei seu texto. Abraço!

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Adorooo.! Você verbalizando... transformando sensações complexas em frases simples

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