segunda-feira, 29 de julho de 2013

O ser humano e a sua capacidade de amar...

Quais são os obstáculos para o desenvolvimento da capacidade de amar do ser humano...? Essa é uma pergunta que permeia muitos corações rejeitados por aí. A verdade é que os obstáculos se instalam na fronteira de contato entre o ser humano e o meio ambiente e vêm em forma de sentimentos, atitudes, crenças, mecanismos de defesa, no momento de interação entre o eu e o outro. O contato entre o eu e o outro implica em atração e rejeição, aproximação e distanciamento, sentir, avaliar, discernir, comunicar, lutar, detestar, amar. Essa é uma conjunção de ações que compõe a motivação para o amor, segundo Tellegen, 1984.
A disposição para o amor ocorre no encontro entre dois sujeitos. O amor se dá de fato a partir da capacidade que o ser humano tem de se diferenciar do outro, de interagir com permeabilidade na fronteira de contato, sabendo colocar-se e retirar-se quando necessário. Essa fluidez é essencial para que o sujeito entre em contato com as suas necessidades e discrimine-as. Quando se aproxima do outro,  concentra-se no presente, realiza-se no aqui e agora, estabelece concretamente o contato. Da mesma forma, quando não é capaz de retirar-se desse contato, não interage com as próprias necessidades, não discrimina positiva ou negativamente suas interações e consequentemente fica impedido de diferenciar-se do outro. Sendo assim, não vivencia sua singularidade. Resumindo, a capacidade de amar, vem naturalmente da capacidade de reconhecer-se como ser único e singular, de enxergar e estabelecer o limite entre o eu e o outro. 
Grande parte da dificuldade de estabelecer esse tipo de contato, está nas crenças que são impostas culturalmente baseadas num modelo aprendido de relacionamento amoroso, que acabam por ser introjetadas. As pessoas têm necessidade de se basear em modelos prontos ao invés de construírem suas próprias histórias, de vivenciarem seus próprios relacionamentos. Valores vão sendo construídos cada vez mais distante de cada sujeito, superficialmente. Quando deixo de vivenciar, perceber, sentir e concretizar a experiência por conta própria, estou empobrecendo a minha personalidade, fragmentando meu ser e restringindo as minhas possibilidades de satisfação. Para que seja capaz de amar, é preciso confrontar os medos e desapegar-se de experiências passadas, lembrando-se sempre de que cada experiência é única e tudo muda o tempo todo, portanto, não há a possibilidade de passar por um mesmo sofrimento ou decepção, tudo será novo de novo a partir do momento que permitir renovar seus ciclos, fechando e abrindo a medida que se apresentarem, fim e começo respectivamente, mantendo-se no fluxo constante que é a vida. 
O valor do amor, está na capacidade de amar, não na reciprocidade. Mais uma vez, faço menção a um importante movimento, o de colocar para fora a nossa emoção, pois, é assim que tornamos possível a expressão da emoção do outro. É no fluir das emoções que temos as maiores construções, aperfeiçoamentos, aprendizagens. 
O medo paraliza, a omissão cristaliza, o impasse desqualifica. A capacidade de amar, sua beleza ou o seu terror, está em cada um de nós. Faça ser o seu amor, ame a sua maneira. 
Taynã Lizárraga Carvalho

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