terça-feira, 20 de agosto de 2013

A gente faz que...

A gente finge que não liga, aperta o coração e engole o sufoco do não. Faz que passa, faz que ultrapassa qualquer compreensão. Finge ter um plano, dois...que não tem medo, que realiza todos os desejos, mas, no fim... Que nem acredita, chora...se irrita, complica, deixa ser humano...contradiz ação e razão. Pensa que sim, faz que não. Diz que não e chora calado, o sim que da nó, engasga e impede o próximo passo. Anda parado, olha para os lados e não vê imensidão. Se perde na saída, no fim que não acredita, reconstrói a fé, não acredita, mas, finge...para que viva. Coleciona laços imaginários, tem incontáveis nós no peito, esconde borboletas no estômago e silencia a doce verdade que amarga a sua vontade de seguir, de deixar ser e se necessário, partir...de gritar o fim que é começo...finge que não é forte, mas sabe que é força. Num sono profundo, se despede da tristeza do fingir...deixa a aflição do não e parte para a realidade de mãos dadas com a razão. Finalmente é, não se faz, se permite ser...infinito.
Taynã Lizárraga Carvalho

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