domingo, 25 de agosto de 2013

E assim segue...

E assim segue...os corpos cada vez mais insaciáveis, a cabeça incansavelmente festeira, as relações superficiais, os valores estremecidos, a verdade distorcida. É tempo onde nem o vazio consegue ser vazio, o valor está nas coisas, na aparência, aprecia-se o que se enxerga com os olhos. Os corações estão enrijecidos de tanta dor, dor criada por si mesmo, num descuido vago do próprio eu, onde o amor próprio se perdeu, fugiu. Olhos já não se olham, lábios não conversam, os abraços são frouxos...A vida é morna, porque meio termo é melhor que ser inteiro. Será? Tem sido assim. Falta coragem para ser, as pessoas se acomodaram em co-existir. Navega-se pelo raso, mergulhar é para poucos, é muita vaidade. Muitos aventureiros de aquário, poucos navegadores dispostos a se jogar na imensidão. A entrega custa muito caro, o orgulho...de correr o risco de não ser pra sempre, de rasgar o coração, de ganhar mais uma cicatriz. O medo está estampado na testa, por isso, tantos andam de olhos fechados. Cada vez mais castelos imaginários, florestas encantadas, os sonhos são vividos na fantasia, e a vida passa...e assim segue...
Taynã Lizárraga Carvalho

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